Eu
sabia que não queria uns sapatos brancos. Eu sabia que queria um ramo
diferente. Eu sabia que queria unhas coloridas e brincos minimamente
compridos. Eu sabia que queria o cabelo solto. E que nem me falassem em
véu. Agora... o vestido? Eu não fazia ideia como raio é que queria O
vestido.
Ou melhor... até fazia: eu queria um vestido comprido, de
princesa, bonito, não muito caro e branco. Na verdade queria que o
vestido custasse menos que um fim de semana em Barcelona (ajudou
muito
converter preços em viagens para... não cair em tentações). Não
queria um vestido que fosse muito trabalhado porque eu queria poder
exagerar nos acessórios. E pronto. Requisitos completos.
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E depois... há o problema da escolha. Há lojas de vestidos
online,
há vestidos em
segunda mão, há
lojas com centenas de vestidos, há lojas
exclusivas a marca ou designer... Pus de parte a compra online por falta
de coragem. Tenho uma amiga que comprou um vestido LINDO e
perfeito aqui mas eu não tive coração (nem corpo) para arriscar. Experimentei uns
vestidos aqui e acolá e fui gostando de uns e odiando outros. Um dia
decidi que não passava daquele dia a escolha do vestido. Peguei na mãe,
na amiga e na irmã (ajuda muito!), Porto acima, Porto abaixo,
experimentei vestidos caros, baratos, curtos, compridos, de vários
estilos e até... cores. Não chegamos a ver todas as lojas possíveis sequer. Acabei por encontrar dois preferidos: um curto e
um comprido! Mantendo o plano original e sem uma lotaria no bolso,
escolhi o comprido (pedi para lhe retirarem toda a cauda) e o assunto ficou arrumado.
Depois
foi só ir escolhendo o resto. Os sapatos foram escolhidos e feitos à
medida numa sapataria perto de casa. Escolhi o modelo e o material
(primeiro queria-os forrados em tons de menta mas acabei por me decidir
por
sapatinhos de verniz). Arranjei uma sabrinas confortáveis da mesma
côr, uma flôr para o cabelo e uns brincos todos pipis (a ideia original
era filigrana portuguesa, mas não encontrei o que tinha imaginado). Como
o São Pedro não não ajudou, ainda tive que improvisar uma espécie de
casaco e até um
guarda-chuva (eu tinha que pensar em tudo
:)).
Quanto à ideia do vestido curtinho... viva os amigos, e as preciosas mãos de costureira de uma mãe que
fizeram um vestido curtinho de boneca (que eu queria para dançar). "Mas
tu vais gostar tanto do teu grande que não o vais querer tirar". "Ok, eu
tiro-o para dançar e depois volto a vestir o comprido". Pois claro,
depois de mais de 10h com um vestido comprido, branco, num dia húmido,
muito pisado (e muito sujo), o vestido curto e leve caiu que nem uma luva e
não saiu mais. Podia não ficar tão perfeito como o outro mas isso
ninguém lá estava para reparar. Confortável, prático e fofinho, para
dançar muito, muito tempo :)
Se me perguntarem se
apareceram estrelinhas e o relógio parou quando decidi o vestido? Não.
Não apareceram. Adorei o meu vestido, mas sei que não era o único
perfeito e que estaria igualmente brilhante e bem com outros que vi (!).
Se o voltaria a escolher? Provavelmente sim. Estava dentro do
orçamento, ficava bem, e era muito confortável (são muitas horas com ele
vestido, isto é importante!). O brilho da noiva (e eu senti-me um sol!)
:) está no conjunto completo: vestido, acessórios, cabelo maquiagem e
aquele sorriso de quem está incrivelmente feliz.
E Custos? Ora bem... dado o
peso do vestido neste orçamento, é sempre ele que vai ditar os valores grandes. No meu caso, o total: vestido comprido (
St Patrick) + casaquinho (
St Patrick) + flor (
H&M) + brincos (
Accessorize) + 2 pares de sapatos (loja local e
Colors Of California) + cabelo (incluíndo prova), ficou por cerca de 1100€. A langerie, a maquiagem e o vestido curto foram ofertas e ficaram a cargo de amigos . O saiote do vestido foi emprestado.
Importante:
Há duas coisas que condicionam esta escolha: o orçamento e os gostos da noiva. Para o primeiro problema: a solução é procurar e arriscar. Das mil opções disponíveis algum será a perfeita. Quanto ao modelo, independentemente da escolha (e das mil opiniões!) é preciso escolher
um vestido com o qual nos identifiquemos, que seja confortável e nos
faça sentir bem. Se possível, que não vos faça passar fome para o pagar (!). Experimentem vários modelos, mesmo aqueles que à
partida já poderiam estar de parte e percebam em quais se sentem mesmo
bem. Apostem nos detalhes que vos tornam únicas. Não façam da escolha um drama! O vestido é só mais um detalhe. Do resto apostem em coisas que vos façam sentir vocês. Mesmo que sejam sapatos coloridos, ramos com catos ou sabrinas rasas (não liguem se vos dizem que isso não é de noiva"!).