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terça-feira, 6 de março de 2012

2xLisboa :três:

2xLisboa :três:

Temporariamente está também na Gulbenkian a exposição Fernando Pessoa, plural como o universo. As exposições temporárias não estão no mesmo edifício do Museu, mas no edifício principal (?) da Fundação. Ao entrar, ficamos sempre boquiabertos com o enorme (e incrível) painel geométrico que vemos à entrada (detalhe em baixo). Este painel foi uma das últimas obras de Almada Negreiros e chama-se "Começar". O desenho para o painel pode ser visto aqui.


A exposição é gira simples e interactiva. Apetece ficar, apreciar, ver todos os excertos escolhidos de cada heterónimo, reparar nos estudos das assinaturas, "folhear" os originais, decifrar apontamentos, sentar e ouvir. Se tivéssemos entrado aqui primeiro, é provável que já não víssemos a colecção principal (que está sempre lá).

Painel inicial da exposição

Amadeu de Souza-Cardoso (não me recordo do título, mas gostava muito de o ter na sala)
 
Retrato de Fernando Pessoa, Almada Negreiros


 Caixa de areia com projecção de textos

"louco, sim, louco, porque quis grandeza. qual a sorte a não dá. não coube em mim minha certeza, por isso onde o areal está. ficou meu saber que houve, não o que há. minha loucura, outros que me a tomem. com o que nela ia. sem a loucura que é o homem. mais que besta sadia, cadáver adiado que procria?" (D. Sebastião, Rei de Portugal, Mensagem, Fernando Pessoa)


 Último poema de Alberto Caeiro. Reparem nas anotações, rasurados, notas em inglês... 

A versão final ficou assim:

"Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava com sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.

Não sei o que hei de fazer das minhas sensações,
Não sei o hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa par eu acordar de novo.

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém."


Um dos muitos extractos (este do poema "O que Nós Vemos" d'O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro) que vemos por aquelas paredes.



No final, voamos até ao Teatro da Trindade, que aproveitar para ver o Libertino. Pessoalmente não gostei. Achei a peça chata, demasiado pesada, com duração muito superior à efectivamente necessária. Valeu pelo teatro e pelo guarda-roupa.


À saída, ainda deu tempo para dar um saltinho ao Largo do Carmo e acabar em beleza com um gelado da Santini ("limão com framboesa" acabou de destronar o meu favorito Tiramisú da Carte D'Or, entrando directamente para o meu top 3 dos gelados!) :)



segunda-feira, 5 de março de 2012

2xLisboa :dois:

2xLisboa :dois:


Já tinha lido aqui e acolá que os jardins e o Museu Gulbenkian eram locais a ver em Lisboa. Depois, espreitei o Trip Advisor e, a seguir ao Oceanário, era a melhor "atracção" de Lisboa.


Entramos, com o tempo contado, nos jardins. São sempre tão bons os jardins grandes dentro de uma grande cidade: aquela sensação de entrarmos num mundo à parte. Não havia tempo para grandes passeios (fica para uma próxima) e vimos apenas o necessário até encontrarmos a entrada para o Museu.




A colecção reunida por Gulbenkian é incrível. Podia ter tido um paredeiro totalmente diferente (vale mesmo a pena ler a página de Calouste Gulbenkiah) mas felizmente ficou por cá. Antigo Egipto, Grécia e Roma Antigas, Mesopotânia, Extremo-Oriente (reparem no biombo fabuloso umas fotos a baixo)... há um bocadinho de tudo. Não farta, não cansa. O museu, criado a pensar na colecção, tem detalhes únicos como o encastre de algumas peças nas próprias paredes. As fotografias em baixo foram tiradas sem flash (há autorização para fotografar tudo o que quisermos, desde que sem flash) e mostram um bocadinho daquilo que por lá se pode ver. Não houve tempo para registar todos os autores/séculos das peças, por isso ficam com a minha memória. De qualquer forma, uma boa parte da colecção está disponível para "apreciação" no site do Museu.

Moedas, Roma (?) antiga

Azulejo de Chaminé, Turquia

 Biombo (enorme!). China, século XVII (?)
 
Díptico em Marfim com cenas da vida de Cristo


 
São Martinho. Arte Europeia

Baixo-Relevo

Relógio Astronómico.Além das particularidades, o próprio mecanismo do relógio é diferente do comum (reparem que as horas não completam um círculo). 

 
Parte da mesa (sobre a qual está o relógio anterior). Reparar no colorido que é dado apenas por juntar inúmeros tipos de pedra.

 Outro relógio peculiar. O dedo da ninfa (?) aponta as horas a seta do Cupido (??) aponta os minutos. A fotografia foi tirada às 14h20.

A Primavera Eterna. (a escultura é pequenina e está dentro de um vidro)

Escultura em Mármore. Tentem reparar na expressão da cara. 

"Les Bretonnes au Pardon". Dagnan-Bouveret


 "As Bolas de Sabão", Édouard Manet

 
 "O Pintor Brown e a Família", Boldini. Adorei este quadro, como "foto de família". Está tão diferente do comum, parece tão natural, tão "momento não planeado".


(todas as fotografias de.mel.e.de.sal)

2xLisboa :um:

2xLisboa   :um:
Como no Sábado só tivemos tempo de revisitar o Parque das Nações à noite (aqueles pavilhões são giros a qualquer hora) antes de rumar a Carcavelos, o Domingo tinha que ser bem aproveitado. Afinal, havia um dia inteiro pela frente e uma máquina para experimentar.


Seguindo o conselho da Analog, rumamos ao Guincho.

Eu que pensava que ia encontrar uma praia bonita mas "normal" vi um cenário "dos filmes", com a serra a encontrar o mar.

Continuamos pela costa até Cascais.







E no meio de rochas do Inferno, ondas, falésias, pescadores, fortes, cabos e faróis, descobrimos a Casa das Histórias da Paula Rego. O edifício é fabuloso, a colecção é pequenina e um bocadinho "cinzenta".




Continuando pela marginal até Lisboa, chegamos a Belém para almoçar. Pelo meio ainda encontramos uma concentração de clássicos (olhem só o Renault Dauphine tão giro). 

"Almoço na mesa": pastéis de Belém (são tão melhores quentinhos) e um frappuccino. O Starbucks de Belém estava com um painel de mensagens todo catita (que não sei se é novo mas eu nunca tinha reparado nele).




 O céu continuava maravilhoso para passear na Gulbenkian (que fica para depois) e fotografar, fotografar, fotografar.

E as saudades que eu tinha de ter uma máquina que faz exactamente o que eu quero?


E não é bem verdade que as melhores coisas da vida são grátis? :)


(todas as fotografias de.mel.e.de.sal)
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