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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eu acho.

Eu acho.
Eu acho que uma potencial vitória de Mitt Romney traria ainda mais problemas ao caótico estado da Economia. E que seria um Presidente Pró-Guerra, Racista, Fundamentalista, Conservador. E que seria um retrocesso em muitas frentes. E sim, eu até poso não percebo nada de Política nem de Economia, mas costumo ter bons feelings e acreditar muito mais nas pessoas que em cores políticas. E eu acredito que a naturalidade, a descontracção, o amor e carinho que se vêem em  acções como esta ou imagens como estas, são verdadeiras. Obama é sem dúvida "um dos bons". Por isso... clap clap para o resultado eleitoral de ontem. Ufa.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A crise não pode vencer*

Não há optimismo que resista a tudo o que ouço e vejo. A Internet está recheada de artigos tristes, sem esperança, preocupantes. Até neste blogue, que quero cheio de coisas boas tem posts sobre a dita crise. Há opiniões que assino na integra, como esta, esta ou esta.

A crise está por cá. Instalou-se e não vai desaparecer tão cedo. Mesmo quando deixar de ser uma palavra de ordem vai ter deixado marcas. Algumas boa até.

Hoje de Maria de Lurdes que não posso deixar de publicar. Porque é mais um dos que subscrevo, porque tem uma mensagem de pequeno optimismo, porque não nos podemos esquecer que a vida é para ser jogada, o melhor possível, com os dados que tenhamos na mão.

Li ontem um post de mais uma mulher que tem de adiar a maternidade por conta da crise.

Ler este tipo de posts é revoltante. Eles retratam sem filtros o que a crise faz ao nosso bolso, às decisões do nosso dia-a-dia, às decisões mais importantes da nossa vida, à nossa intimidade, às nossas relações, ao nosso corpo e ao nosso futuro. A crise vai muito além do nosso bolso, do nosso poder de compra. Mas não pode governar a nossa vida, não pode sentenciar decisões tão definitivas como ter ou não um filho. O primeiro filho.

Eu não sou ninguém para dar conselhos sobre quando é que pessoas que eu não conheço devem ou não ter filhos, mas falando em abstrato, falando para o âmago da questão:não adiem mais.

Se sentem que querem ter um filho, que têm as vossas condições emocionais reunidas - seja idade, pai, vontade, um tecto - não esperem pelas condições económicas que vocês gostariam de ter para terem um filho. Um emprego estável, um rendimento fixo, um rendimento que acautela as despesas, obviamente são factores ponderantes, mas NÃO podem ser decisivos. A vossa decisão não pode depender das condições económicas, não pode depender da crise.Porque se assim for podem perder a oportunidade de ter filhos, ou de pelo menos tê-los sem dificuldades maiores, na idade que vocês consideram a ideal, no vosso timing.
É que a crise instalou-se confortavelmente e não vai a lado nenhum. Ela afundou o seu real traseiro no sofá das nossas salas, da nossa cozinha, e de lá não vai sair. Agora, ela não pode entrar dentro do quarto. Vamos levar ANOS a expulsar esta crise da nossa vida. Não vai ficar melhor tão cedo, pelo contrário. Por isso mesmo, não pode ser por causa dela que não podemos ter um filho.

Não deixem passar mais tempo, não esperem para daqui a um ano, ou dois, ou quando tiverem 33 anos ou 35. Ou 38. Não se deixem vencer mais um mês e mais outro e quando finalmente puderem, já ser tarde. Para o primeiro. Para depois ainda vir um segundo. Para a vossa estabilidade emocional, para a história de amor que talvez tenha servido de base à vossa vontade. Para aquele desejo de sempre que não se compadece com o facto de não terem encontrado um pai, mas que admitem secar por causa da crise.

NUNCA será a altura perfeita.Se é muito complicado ter um filho, criar um filho em tempos de crise? Nem consigo imaginar o limite. Mas não é impossível. Crianças nascem em tempos de guerra, crianças nascem no meio do deserto, do lamento, do nada. Crianças nascem há milhões de anos e nessa altura não havia água canalizada, nem fibra ótica.É muito batido dizer isto, é leviano, mas bem ou mal, melhor ou pior, os filhos criam-se. Mesmo que mais pobres do que gostaríamos, mesmo que não em condições ideais.

É triste, mas esta crise é tão brava que tantos de nós teremos de criar os nossos filhos mais pobres do que nós éramos com a idade deles. A prosperidade das gerações seguintes não é uma realidade, muito menos uma garantia ou uma promessa. Os nossos filhos vão ter um poder de compra menor do que o que nós tínhamos com a idade deles e do que aquele a que nós estamos habituados para nós hoje, ou melhor, ainda ontem.É disso que não devemos ter medo. De perdermos euros a sério por termos filhos. Isso vai acontecer, vai ser uma complicação dos diabos. Repito, os nossos filhos vão ser mais pobres do que nós éramos com a idade deles. Principalmente com as solicitações, as rendas, as mensalidades disto e daquilo, os gadgets, os preços das milhares de coisas que temos de ter na nossa vida para nos sentirmos satisfeitos hoje em dia. Ou simplesmente porque os salários são cada vez mais baixos e todos os outros preços sobem. Quando somos obrigados a ter menos na nossa mão, que esse vazio nos permita fazer a separação do que realmente é primordial na nossa vida. E o nosso relógio biológico É.

É uma questão de aritmética, mas as contas impossíveis que terão de fazer à vida não podem levar a que o resultado seja = NÃO TER.

Esta pode ser a oportunidade de a geração Heidi fazer os seus filhos, a nova geração que aí vem, voltar aos tempos da Heidi, em que a frugalidade não era uma tendência cool, mas a nossa simples realidade.   
Não podemos deixar que a crise vença a nossa família, mesmo que se torne uma família mais pobre, teremos sempre vidas mais ricas.

*Titulo do post das Maravilhas da Maternidade

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As espadas

O Governo estragou tudo. Tudo. Estragou a estabilidade política, a paz social, estragou aquilo que entre a revolta e o pasmo agregava o país: o sentido de que tínhamos de sair disto juntos. Sairemos disto separados? Hoje não é dia de escrever com penas, é dia de escrever de soqueira.

Passos Coelho, Gaspar e Borges estiveram fechados em salas tempo de mais. Esqueceram-se que cá fora há pessoas. Pessoas de verdade, de carne, osso, pessoas com dúvidas, dívidas, família, pessoas com expectativas, esperanças, pessoas com futuro, pessoas com decência. Pessoas que cumpriram. Este Governo prometeu falar sempre verdade. Mas para falar verdade é preciso conhecer a verdade. A verdade destas pessoas. Quando o primeiro-ministro pedir agora para irmos à luta, quem correrá às trincheiras?

Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados - mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?

O Governo falhou as previsões, afinal a economia não vai contrair 4% em dois anos, mas 6% em três anos. O Governo fracassou no objectivo de redução do défice orçamental. Felizmente, ganhámos um ano. Mas não é uma ajuda da troika a Portugal, é uma ajuda da troika à própria troika, co-responsável por este falhanço. Uma ajuda da troika seria outra coisa: seria baixar a taxa de juro cobrada a Portugal. Se neste momento países como a Alemanha se financiam a taxas próximas de 0%, por que razão nos cobram quase 4%?

Mais um ano para reduzir o défice é também mais um ano de austeridade. E sem mais dinheiro, o que supõe que regressaremos aos mercados em 2013, o que será facilitado pela intervenção do BCE. Mas "regressar aos mercados" não é um objectivo político nem uma forma de mobilizar um país. São os fins, não os meios, que nos movem.

Sucede que até este objectivo o Governo pode ter estragado. Só Pedro Passos Coelho parece não ter percebido que, enquanto entoava a Nini, uma crise política eclodia. A nossa imagem externa junto dos mercados, que é uma justa obstinação deste Governo, está assente em três ou quatro estacas - e duas delas são a estabilidade política e a paz social. Sem elas, até os juros sobem. E também aqui o Governo estragou tudo. Tudo.

Os acordos entre partidos da coligação e o PS, e entre o Governo e a UGT, têm uma valor inestimável. Que o diga Espanha, que os não tem. Mas não só está anunciado um aumento brutal de impostos e de corte de salários públicos e pensões, como se inventou esta aberração a destempo da alteração da taxa social única, que promove uma transferência maciça de riqueza dos trabalhadores para as empresas. Sem precedentes. Nem apoiantes.

Isto não é só mais do mesmo, isto é mal do mesmo. O dinheiro que os portugueses vão perder em 2013 dá para pintar o céu de cinzento. O IRS vai aumentar para toda a gente, através de uma capciosa redução dos escalões e do novo tecto às deduções fiscais; os proprietários pagarão mais IMI pelos imóveis reavaliados, os pensionistas são esmifrados, os funcionários públicos são execrados. É em cima de tudo isto que surge o aumento da TSU para os trabalhadores.

Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as "gorduras" que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.

Poucos políticos têm posto os interesses do país à frente dos seus. Desde 2008 que tem sido uma demência. Teixeira dos Santos aumentou então os funcionários públicos para ganhar as eleições em 2009. Cavaco Silva devia ter obrigado a um Governo de coligação depois dessas eleições. José Sócrates jamais deveria ter negociado o PEC IV sem incluir o PSD. O PSD não devia ter tombado o Governo. E assim se sucedem os erros em que sacrificam o país para não perderem a face, as eleições ou a briga de ocasião. O que vai agora o PS fazer? E Paulo Portas? E o Presidente da República, vai continuar a furtar-se ao papel para que foi eleito?

João Proença foi das poucas pessoas que pôs o interesse do país à frente do seu, quando fez a UGT assinar um acordo para a legislação laboral que, obviamente, lhe custaria a concórdia entre os sindicalistas. Até Proença foi agora traído. Com o erro brutal da TSU, de que até meio PSD e o Banco de Portugal discordam. Sim: erro brutal.

É pouco importante que Passos Coelho não tenha percebido que começou a cair na sexta-feira. É impensável que lance o país numa crise política. É imperdoável que não perceba que matou a esperança a milhares de pessoas. Ontem foi o dia em que muitos portugueses começaram a tomar decisões definitivas para as suas vidas, seja emigrar, vender o que têm, partir para outra. Ou o pior de tudo: desistir.

Foi isto que o Governo estragou. Estragou a crença de que esta austeridade era medonha e ruinosa, mas servia um propósito gregário de que resultaria uma possibilidade pessoal. Não foi a austeridade que nos falhou, foi a política que levou ao corte de salários transferidos para as empresas, foi a política fraca, foi a política cega, foi a política de Passos Coelho, Gaspar e Borges, foi a política que não é política.

Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.
 Crónica de Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios

E eu, ainda procuro os meus bocadinhos de optimismo. Preocupo-me. Comigo, com os que me rodeiam, com o futuro. Fico assustada com o futuro. Mesmo. E como não sei o que mais posso fazer, começo a arregaçar as mangas para melhorar e, para começar a acreditar num futuro bom, Sábado vou sair à rua.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Querida Polo Note, ao contrário do habitual, desta vez não concordo*

Querida Polo Note, ao contrário do habitual, desta vez não concordo*
Eu acho que o dia internacional da mulher deve ser assinalado e celebrado como cada um entender (mesmo que haja quem entenda formas de celebrar muito estranhas).
Eu sou a favor destes dias. Seja ele dia dos namorados, dia dos avós, dia mundial da paz ou dia internacional da mulher. E até posso celebrar o dia dos namorados fora do dia e o dia dos avós sem ninguém notar. Não interessa. Todas as desculpas me parecem boas para celebrar, para estar, mais uma vez.

Ramboiadas e presentes à parte, eu acho que sim, deve-se assinalar e celebrar o Dia Internacional da Mulher. Até porque ainda há muito para fazer. Mesmo por cá. 

E não, eu não acho uma hipocrisia. Não só pelo trabalho que ainda há por fazer mas pelas portas que hoje temos abertas, por  todOs os que lutaram para que hoje fosse tão bom ser mulher.

E não, não me lembro só disso hoje. Não tenho só hoje orgulho em ser Mulher. E também não "namoro" só em Fevereiro. E também não estou com os meus avós só Julho. Estou "também".


*A propóstio deste post quadripolar.
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