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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Santiago - A Mochila

Qual?
A mochila anda connosco SEMPRE. É a nossa carapaça. :) Tem que ser confortável, adaptar-se ao nosso físico, durável, com alças bem acolchoadas (e mesmo assim contem com a possibilidade de ombros pisados) e deve encaixar bem nas costas. Se tiver cintas para ajustar ao corpo (e distribuir melhor o peso) melhor. É muito importante que a mochila esteja adaptada aos ombros e ao corpo. Um mochila de 40L chega perfeitamente para tudo e mais alguma coisa. A mochila que eu levei é a Forclaz 40, da Decathlon e serviu lindamente para o efeito. O único problema é não ter capa impermeável, mas... é um problema contornável caso levem um impermeável onde cabem vocês E a mochila! (Sim, o efeito final é um bocado estranho). O que eu sinto menos saudades do dias do Caminho é mesmo... da mochila. Não porque fosse desconfortável, não porque estivesse demasiado pesada mas... porque eu não gosto muito daquela rotina do "chega ao sítio -> desmonta mochila -> prepara tudo -> dorme -> arruma mochila e parte para o próximo sítio". Eu gosto de ir de férias e assentar arrais num sítio mas... este é um "mal" necessário para um percurso como este. Por isso, contem que por um motivo ou por outro, vão chegar ao final a odiar um bocadinho a vossa "carapaça", por isso... é muito importante que a escolham bem.

O que levar?
Antes de mais... Pensem que vão ter que andar com a  mochila todo o dia. Que vão ter que fazer dezenas de km com ela às costas. Pensem que todas as noites a vão "desfazer" e todas as manhãs ela tem que estar pronta a partir. Ponderem muito bem em tudo isto enquanto decidem o que levar ou não. :) Pelo que lemos, é aconselhável que o peso da mochila totalmente carregada não exceda 10% do peso (sob mena de ainda mais bolhas, tendites e outros problemas físicos). A minha andava entre os 6 e os 7kg (dependendo da água que levava). Outra questão: a viajar em grupo há uma série de itens que são comuns (produtos de higiene, medicamentos) e podem (e devem) ser partilhados e distribuídos entre as várias malas. Segue a lista do que levamos:
  • Dormir
    • Saco-Cama (indispensável, os albergues não fornecem roupa de cama, não precisamos de um saco que protegesse de muito frio porque fomos em pleno Verão)
    • Colchonete (é aconselhável levar caso não arranjemos colchão nos albergues e tenhamos que dormir no chão. Nós não precisamos, nem vimos ninguém que precisasse mas pode sempre ser levada JIC. É levezinha e barata - levamos uma de ioga, custou 3€... caso esteja a chatear muito e não seja mesmo precisa: lixo com ela)
    • Fronha p/Almofada (eu não levei, mas pode dar jeito. Uma boa parte dos albergues tem almofadas e é útil. A partir de Espanha, todos os albergues em que ficávamos davam um capa para o colchão e outra para a almofada - daquele tecido descartável tipo "roupa" dos médicos. Em alternativa: forrar a almofada com o saco do saco-cama ou encher o saco com alguma roupa e torná-lo almofada)
  • Roupa
    • 2 calções (a ideia inicial era ir trocando entre eles mas... como um dos modelos tinha botão e zona na cintura mais dura e eu fiz uma enorme alergia ao suor, acabei por usar o mesmo par quase todos os dias - cintura de algodão elástico. Apenas usei o par suplente num dia que os calções não secaram a tempo ou para vestir depois do banho e ir passear. Ah! E convém que os calções não sejam curtos, para não causar cieiro).
    • 1 calças (levei umas calças levezinhas, de desporto, que acho que nunca cheguei a utilizar - nunca ficou frio suficiente para isso)
    • 3 t-shirts (1 normal, de algodão, 2 daqueles modelos xpto que eliminam a respiração - mais ou menos como esta. Tal como com os calções, a experiência com a camisola "normal" não correu muito bem e acabei por ir trocando entre as outras duas. O tecido é leve, confortável, fresco e seca muito rápido - uma grande vantagem. A outra camisola foi lavada e, tal como os "segundos calções" era a roupa "lavada" para usar depois do banho)
    • 1 Camisola Polar (mesmo em pleno Verão contem com frio - vão caminhar muitas vezes de madruga, ou passear ao final da tarde por isso uma camisola quentinha é muito importante)
    • Roupa Interior - 3 pares de cuecas + 3 soutiens confortáveis (é verdade que a roupa interior é muito leve e podia ter levado para os 10 dias mas, mesmo que optem por esta opção, é fundamental lavar a roupa que usaram. Imaginem roupa interior suja fechada num saco durante 10 dias. Conseguem perceber o problema?)
    •  Bikini (a ideia era ir dar uns mergulhos mas faltou-nos de um detalhe: a água dos rios é fria como tudo. Chegamos a vestir mas mergulhos zero. De qualquer forma acho que vale a pena levar)
    • Chapéu 
    • Capa impermeável (muito importante, mesmo em Agosto nós apanhamos chuva. Na Decathlon tinha-nos recomendado uns impermeáveis de caminhada que custavam cerca de 17€ mas... na secção de equitação descobrimos um modelo (igualmente impermável) óptimos para o caso), por 5.95€. Trouxemos o modelo de criança.
    • Pijama
  • Os pés
    • Botas (tinha pensado inicialmente em levar umas sapatilhas outdoor que tenho mas lemos em vários sítios que devíamos levar calçado "que proteja os tornozelos"... e como eu, pessoa muito mariquinhas e com grande tendência para torcer decidi investir numas botas - e consequentemente nas meias. Comprei este modelo, na Decathlon.  São leves, impermeáveis, protegem o tornozelo - ao contrário das sandálias/sapatilhas - têm boa tracção/apoio e... são relativamente baratas - pelo menos comparando com muito do que vimos. As sapatilhas são mais leves e maleáveis, as botas são impermeáveis e dão mais estrutura. É uma opção de cada um,  chegamos a ler sobre quem tenha feito o caminho com meias + sandálias.  Não há uma solução perfeita mas eu fiquei muito contente com a minha. Não levem calçado a estrear - para dar algum uso às minhas tive que andar de botas em pleno Verão (!).
    • Meias - 2 pares de meias de caminhada + 2 pares de meias normais  (as de caminhada para caminhar - este modelo - as normais para vestir ao final do dia. Para evitar bolhas é bom que as meias sejam de algodão e que não tenham costuras)
  • Higiene
    •  Toalha (levei uma toalha de microfibras, da Decathlon. É leve, muito pequena, seca rápido, absorve bem e é macia! Há em vários tamanhos e cores).
    • Shampoo/Gel de Banho (o mais pequeno possível, de preferencial, partilhado)
    • Escova de Dentes
    • Pasta de Dentes (de preferência também partilhada)
    • Pente
    • Chinelos (fundamentais! Para tomar banho, para passear - não vão querer voltar a calçar as botas depois de chegarem ao destino - e porque os pés precisam de "respirar"!)
    • Detergente para a roupa (levamos mas é dispensável - o sabão que existe nos albergues serve perfeitamente. caso não haja, lavem com gel de banho)
    • Papel Higiénico (não chegou a ser preciso, os albergues tinham sempre boas condições)
  • Outras Utilidades
    •  Corta-unhas
    •  Sacos plásticos (para a roupa suja, para proteger alguma coisa da chuva, para o lixo...)
    • Fio de nylon (pode ser útil para prender roupa na mochila)
    • Molas (muito importante para secar a roupa nos albergues ou prendê-la à mochila
    • Alfinetes de segurança
    • Canivete
    • Talheres (levamos talheres de plástico, caso precisássemos de comer e não houvesse talheres disponíveis)
    • Lanterna
    • Tampões para os ouvidos (eu não levei, mas eu durmo em QUALQUER lado, sob QUALQUER barulho! Mas... pode ser muito útil para quem tem problemas de sono).
    • Bloco + Caneta
    • Livro (eu levei um livro levezinho, mas não me lembro de o abrir)
    • Bolsa de cintura (para ter o dinheiro, o telemóvel, a credencial, a máquina, o canivete.... A minha mochila tem uma bolsa mas não cabia lá um décimo da tralha. Levei uma daquelas bolsas de cintura da Eastpack onde cabe sempre mais qualquer coisa)
    • Óculos de Sol (opcional)
    • Óculos / Lentes de Contacto (eu preferi usar lentes mas levei também os óculos por precaução)
    • Relógio
    • Alguma comida (barritas de cerais, bolachas... coisas energéticas e que não se estraguem)
    • Água (além do cantil - o meu era de cerca de 0,5L - sempre que possível andava também com uma garrafinha de água porque eu acho que 0,5L de água é muito pouco)
  • Farmácia 
    • Agulha e linha (para as bolhas)
    • Benuron
    • Imodium e um laxante (não esquecer que a alimentação altera muito naqueles dias)
    • Primperan (para o meu estómago, que às vezes se passa)
    • Nívea
    • Fenistil
    • Ligadura + adesivo
    • Pé Elástico
    • Betadine
    • Protector Solar
    • Antistax (dispensável)
    • Neutrógena - Hidratante para os pés
    • Voltaren (é um grande amigo)
    • Pomada relaxante muscular
    • Outros medicamentos de uso constante (se aplicável)
  •  Documentos
    • Cartão do Cidadão
    • Cartão de Saúde Europeu (caso tenham)
    • Credencial do Peregrino
    • Cartão Multibanco
  • Tecs
    • Telemóvel + carregador
    • Ipod + carregador
    • Máquina Fotográfica + Cartões de Memória extra + carregador (levei uma máquina compacta)
    • Tripla (porque com tanta tralha achei que ia estar a manipular as tomadas)
  • Peregrino
    • Cajado (opcional. Eu acho uma boa ajuda. Vimos muitos peregrinos sem cajado, muitos com cajado e uma com dois cajados tipo "bastão" -> parecidos com os de andar na neve)
    • Vieira (é o símbolo do peregrino, nas vésperas de sairmos comprei 4 vieiras recheadas no Pingo Doce - para jantar! Depois de lavadas pedi ao meu pai para fazer um furinho e cada um levou uma vieira na mochila. É só um elemento simbólico)
    • Um guia (levamos este)
Imporante: Apesar de parecermos uma farmácia ambulante (embora distribuída entre todos) e de levarmos alguma comida, não é preciso cair em exageros! Ao longo do Caminho aparecem farmácias, supermercados, lojas e lojinhas onde podemos comprar o que faz falta.

Como  arrumar?
Pelo que lemos, as coisas mais pesadas devem ficar em baixo. Para mim, também muito importante é que fique tudo minimamente ordenado (caso contrário a mochila não se adapta tão bem ao corpo). Eu tinha o saco-cama sempre no fundo da mochila, depois lá pelo meio os produtos de higiene, e por cima, a roupa. No bolso superior estavam os carregadores, o bloco e a caneta, a tripla e os cartões de memória. E por cima, amarrado e já fora da mochila a colchonete. Os medicamentos iam numa das bolsas laterais e na outra a lanterna, os óculos e alguma comida. A água ia numa rede que tem no centro da mochila - fácil acesso. Os documentos, o ipod, a máquina fotográfica, o dinheiro e o telemóvel ficavam na bolsinha da cintura. Como o saco cama tinha que ir para o fundo da mochila (e porque a minha mochila não tinha abertura no fundo) tinha que fazer a mochila sempre de manhã. O ideal é deixar tudo minimamente organizado na véspera para não fazer muito barulho a empacotar tudo de manhã (nem todos acordamos ao mesmo tempo). Depois é acordar, enrolar saco cama, vestir, arrumar tudo e siga! 

E só em equipamento... quanto é que isto tudo custa?
Ora bem... eu não comprei tudo o que levei. Uma parte tinha, outra foi emprestada e outra foi efectivamente comprada para a ocasião. Vou tentar contabilizar alguns dos custos do material mais importante - o mais semelhante com o que eu usei - e só aquele que possamos não ter usualmente em casa, só para que possam ter uma ideia:
Ora... isto dá um custo total de quase 200€ só em material (o que é muito, principalmente no caso de só usarem o material uma vez). Por isso, se querem fazer o caminho, pensem o que têm mesmo que comprar (botas?) e o que podem levar emprestado (saco-cama, colchonete, calções...) e... esgravatem lá por casa para não comprarem coisas desnecessárias.

(Nota: como é óbvio, o post não tem qualquer patrocínio da Decathlon, fiz os links para lá porque foi o sítio onde encontramos o melhor material e mais barato. Do que fomos vendo pelo Caminho, a Decathlon devia ter algum tipo de promoção para peregrinos. TODA a gente (e quando eu digo toda incluo portugueses, espanhóis, italianos e companhia) veste, calça ou usa muitos artigos Quechua.)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Santiago - Quanto Tempo? Quando? Com Quem?

Quanto tempo?
Pode haver mil razões para alguém fazer o Caminho de Santiago. A Fé, o gosto pelas caminhadas, o "desligar" do mundo... Por vezes, um bocadinho de cada uma delas. Independentemente do motivo o melhor que podem fazer antes de começar é estabelecer objectivos à medida de cada um. Nós decidimos fazer o percurso em 10 dias (o que dá uma média de 25km/dia). Conhecemos gente a fazer o mesmo percurso em 5/6 dias e outros que andavam 15km/dia.  É importante não ter uma data extremamente rígida para nos podermos adaptar ao que formos vendo ou o que for acontecendo. Nós precisamos de encurtar uma etapa para fugir da chuva e optamos por ficar em Caminha para conhecermos e porque achamos que era giro ficar exactamente 5 dias em Portugal e 5 em Espanha.  Mas pode haver muitos outros motivos para fazer alterações no percurso. Para mim, uma vez mais, o mais importante é não haver rigidez. O objectivo não é CHEGAR a Santiago, é FAZER o Caminho de Santiago. Não o façam com pressas, com dores absurdas ou como um competição. Façamos porque é uma experiência incrível.

Quando?
Eu diria que a melhor altura para ir seria algures entre Abril e Junho ou Setembro e Outubro. O tempo é ameno e a probabilidade de chuva é pequena. Nós... como somos uns tipos corajosos, saímos em pleno Agosto (até porque era a única altura possível para todos).  Apanhamos dias muito quentes (o que tornou o início ainda mais difícil), mas depois de entrarmos no ritmo não sentimos grandes problemas. O segredo para fugir ao calor é madrugar (saímos dos Albergues por volta das 6h). Outro problema (?) dos meses "altos" é a quantidade de peregrinos. Segundo o que lemos é entre Julho e Agosto, na Semana Santa, e na semana do dia de Santiago Maior (25 de Julho) que existe maior quantidade de peregrinos no Caminho. Os albergues não permitem reserva, os lugares disponíveis são para os primeiros a chegar. Por outro lado este não chega a ser um verdadeiro problema, primeiro porque porque os albergues em cidades mais concorridas planeiam algumas alternativas (pavilhões de escolas/bombeiros abertos para os peregrinos, fornecimento de colchões e cobertores), depois porque probabilidade de haver cama disponível no albergue seguinte é alta para quem sai cedo e tem um ritmo dentro da média. Por outro lado é muito giro encontrar outros peregrinos pelo caminho! Há que ponderar... Nós fomos tendo sempre onde dormir bem (dentro do que é dormir "bem" para um peregrino!). Por outro lado... conhecemos um grupo que fez o Caminho num Ano Jacobeo (sempre que o dia 25 de Julho calhe a um domingo) - Ano Santo - onde a afluência de peregrinos é ainda maior e "juraram para nunca mais". É aparentemente impossível encontrar albergues limpos, livres e/ou a preços decentes nesta altura. Fazer o Caminho durante o Inverno... parece-me uma coisa um bocado heróica. Dias curtos, percursos cheios de lama e probabilidade de muita chuva ou neve tornam o percurso quase impossível.

Com Quem?
Eu diria que "nem muitos nem poucos, assim-assim". :) Mais do que 5/6 pessoas é já um grupo grande para uma coisa destas. Grupos grandes implicam uma logística maior: diferentes ritmos, diferentes opiniões, diferentes opções/gostos na comida. Mesmo para arranjar alojamento, é difícil "encaixar" toda a gente. Não é impossível, só requer uma estratégia diferente (encontramos, por exemplo, um grupo de cerca de 30 checos que saiam sempre cedo e andavam cerca de 15km por dia até ao próximo albergue onde "acampavam" até à abertura - abrem sempre depois da 1h - de forma a garantir sempre lugar). Fazer o percurso sozinha... hum, eu não era capaz. Primeiro porque é efectivamente perigoso. Passamos por sítios onde nem sequer há rede e onde é fácil... torcer um pé ou cair. Depois, há a questão da motivação, ter alguém com quem falar ajudar a passar o tempo, ajuda a distrair e "puxa" por nós. Por outro lado, é muito fácil para um peregrino "sozinho" encontrar um grupo a quem se juntar (pelo menos alturas de grande afluência). Em qualquer caso é importante não esquecer os fiéis companheiros de qualquer viagem em grupo: muita paciência e bom senso. Não temos todos ritmos iguais, não temos todos gostos iguais por comida, não queremos todos de ver ou fazer a mesma coisa. Mas... e dado somos todos "malta boa" (a má não vai fazer o Caminho!) é tudo fácil de gerir. :)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Caminho Português de Santiago

"Fazer o Caminho Português de Santiago é uma forma privilegiada de viajar, estar em contacto com a natureza, com as populações locais e com outros peregrinos que por mil e uma razões se aventuram nos seiscentos quilómetros que unem Lisboa a Santiago de Compostela, ou uma parte deles. Mas é acima de tudo voltar a sentir o lado mais simples da vida.
A pé, a cavalo ou de bicicleta, todos aqueles que o percorrem fazem muito mais do que seiscentos quilómetros. O Caminho de Santiago é, acima de tudo, um caminho interior. No Caminho Português, por ser ainda um dos menos explorados, acaba por ser também um dos mais intensos - o grau de intimidade e contacto humano sobem consideravelmente e marcam de uma forma vincada esta experiência para a vida."

Há anos que falava em tentar fazer o Caminho de Santiago. Não sei o porquê ao certo. Queria fazer o Caminho porque todos os relatos que lia falavam de uma viagem inesquecível. Queria fazer o Caminho como quero ir a Nova York ou a Maputo. Queria porque "sabia" que ia ser muito bom. 

Mas entre o "querer" e o "fazer" ainda ia uma distância do caraças. 

Depois apareceu a oportunidade. Um grupo para ir, uma data possível para todos e um grande "porque não"? Senão fizer agora, não sei quanto mais tempo vou ter que esperar por outra oportunidade por isso... 'bora lá marcar 15 dias de férias para me por a caminhar até Santiago" e depois... depois logo se vê. 

E viu, saí do Porto e cheguei a Santiago no tempo previsto. Não foi melhor nem pior do que imaginava porque não conseguia sequer pensar em como seria. Mentira... foi melhor, porque no dia em que saimos eu  não acreditava que fosse conseguir sequer chegar a Espanha. :) 

Na altura em que começamos a preparar a viagem  percebemos que não era fácil encontrar muita informação sobre o Caminho Português (a maioria dos sites são brasileiros e falam do Caminho Francês). Durante o Caminho pensei que devia postar sobre o que fomos vendo e fazendo, mas depois... a preguiça e a correria do Tempo falaram sempre mais alto. 

Agora... as opiniões e informações estão um bocadinho diluídas (já passaram 3 meses!) e, quanto mais esperar, pior. Assim,  nesta do "Agora ou Nunca" vou fazer uns posts sobre Santiago. O que vimos, os albergues onde ficamos, a preparação, os comentários, a sinalização do percurso,  os peregrinos, a mochila e... um bocadinho do que sentimos. Porque pode sempre vir a ser útil para alguém e porque (agora que já não tenho nenhuma réstia de mazelas) posso garantir que é uma experiência que vale MUITO a pena (ou como quem diz... as bolhas, o cansaço e as dores).

domingo, 19 de agosto de 2012

19.Agosto - 02h10.
Conto já 3 dias de férias muito bem aproveitados. Dormir, dormir, dormir.  Tanto sono recuperado que hoje volto a deitar janela fora. Quase invento trabalho. Já enviei emails para fechar coisas que deixei pendentes antes de fugir para férias na 3a feira passada. Já comecei a rever um relatório até que abanei a cabeça e "deixei-me dessas coisas". Estou de férias caramba. É de madrugada e daqui a 3horas apanho o comboio para o Porto e depois... Caminho(amos!) até Santiago. Vou desligar o botão por 10 dias. 10 dias caramba. A mochila está pronta e eu revejo 1000x o que tenho que lá ter. Levo o telemóvel pessoal, o ipod e a máquina fotográfica. Destes não consigo separar-me. Todo o resto fica por cá. E eu já morro de saudades. Quase 40km de Caminho no primeiro dia e 1hora de sono. Vai correr mal, parece-me.  Valha-me a adrenalina do primeiro dia. Sei que não me vou arrepender. Sei que vou adorar. Mas nada me tira estes primeiros nós no estômago.

Vou-me. Este blogue encerra para férias (duvido que consiga algum ponto wireless no caminho, mas se conseguir e houver disposição aviso que estou viva!).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O mundo gira lá fora

E eu tento acompanhar o que por lá se passa.

Gostava de postar mais, gostava de não estar sempre a perder o fio à meada do desafio de fotografia, gostava de não choramingar pelo tempo a menos e pelo sono a mais.

O trabalho tem andado ao rubro. Muito, muito mesmo. Começo agora a ver a luz ao fundo do túnel do projecto que temos em mãos. A luz que gostávamos de ter visto há um mês atrás. Todos os dias juro que não estou para me irritar com isto, que não tenho culpa pelo mau planeamento, que não foi por falta de aviso. E... todos os dias me irrito e me preocupo e me esforço e me sinto um bocado frustrada por isto ainda não estar como tem que ser.

Ando apaixonada pela nossa casa. Ainda só temos um monte de paredes vazias, mas eu já as vejo no futuro. Já há água, já há luz e, desde que assinamos aquela bendita escritura, só houve um dia em que não passei por lá, nem que fosse um bocadinho. Apetece-me fazer coisas. Apetece-me limpar o pó. Apetece-me ter lá toda a gente. Adoro ver coisas a acontecer. E, embora muito mais lentamente do que eu gostaria, elas estão a acontecer.

A Viagem Medieval está à porta e eu, um ano mais, vou estar por lá. A ver vamos se desta vez há tempo para ir contando as muitas histórias dos cromos bons e maus que encontro. Imaginava-me neste momento muito mais descansada, muito menos sonolenta, para aguentar bem aqueles 11 dias de loucos, mas... não aconteceu. A ver vamos como arranjo espaços para descansar.

Este ano vou cumprir (ou assim espero) um daqueles meus objectivos "de sempre": fazer o Caminho de Santiago. Vamos fazer o caminho Português, a partir do Porto e eu tenho medo de ficar pelo caminho principalmente porque não vejo jeito de fazer uma preparação decente. Após muita indecisão acabei por comprar umas botas (só tinha sapatilhas e não eram, aparentemente, o melhor calçado para uma caminhada destas) e ando com elas para as moldar. Sinto que pareço uma tolinha a "passear-me" de botas de caminhada departamento fora, em pleno Verão. Adiante.

Turbilhões à parte, mau humor à parte também, há colas com gelo e limão, há jogos olímpicos na televisão e um livro a ser lido em catadupa. Começo finalmente a sentir o cheirinho das férias. E cheiram mesmo, mesmo bem... :)



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