Mostrar mensagens com a etiqueta M de mãe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta M de mãe. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Os meus filhos nasceram assim

(Encontrei este texto nos rascunhos. Na altura foi escrito para partilhar e depois passou-me. Mostrei-o a uma amiga que me disse "partilha, é bom ler histórias boas". Aqui fica a minha história boa.)


Se me perguntassem há 2 meses se o parto do Duarte tinha sido bom eu responderia que sim, sem duvida. Entrei em trabalho de parto algures durante a tarde. Até aí não tinha tido qualquer sinal de contração ritmada ou outro sinal que o parto estaria para acontecer. As contrações nem sequer eram fortes ou dolorosas (e sendo eu na altura inexperiente na coisa nem sequer as identifiquei logo como contrações!). O “desconforto” foi-se tornando mais frequente ao longo da tarde e por volta das 20h estava com contrações a cada 5 minutos (mais coisa, menos coisa que não estava muito atenta à contagem). Estava sozinha e pedi para a minha irmã vir ter comigo. Uma hora depois a bolsa rebentou e com contrações bastante frequentes há algum tempo (que não passavam em repouso) e uma bolsa rebentada... comecei a sentir que talvez fosse hora de ir (e mesmo que não sentisse... a minha irmã ter-me-ia arrastado para lá!). No entanto o Tó estava em aulas e eu achava que não valia a pena grandes pressas. Arranjei-me e fomos para o hospital. Nestas andanças... dei entrada no hospital já a passar das 22h30. Continuava plenamente convencida que o bebé ainda iria demorar umas horas a nascer mas entretanto tinha avisado o rapaz que íamos para o hospital. Quando fui observada já tinha alguma dilatação (uns 4cm, se bem me lembro) e o CTG acusava as contrações frequentes, que começavam a ser dolorosas. Algum tempo depois o bebé começou a acusar algum sofrimento e fui logo para a sala de parto. A dilatação já tinha aumentado e o parto estava quase a acontecer. Pedi nesta fase epidural (tinha inicialmente recusado) e com a epidural deixei de sentir qualquer dor mas também de ter um papel activo. Chamaram o pai para entrar nesta fase. O Duarte demorou uns 5 minutos a nascer, com direito a episiotomia grande, ajuda da ventosa, a enfermeira deitada em cima de mim e a médica a dar indicações que eu não conseguia cumprir. Eram 23h55 quando ele nasceu. Não me apercebi que tinha sido utilizada a ventosa e... pior, não me apercebi que o bebé tinha nascido. Apercebi-me que ele nasceu porque repentinamente deixei de ter “atenção” da equipa ao meu redura . Não o ouvi logo chorar e não o via mas estavam todos a dizer-me que estava “tudo bem”. Lembro-me de sentir pânico/desespero/medo durante breves segundos que pareceram horas. Ele chorou. Embrulharam-no e entregaram-no ao pai. Vi finalmente o meu bebé, vi que estava bem, que tinha corrido tudo bem. Não me apaixonei por ele ali. Disseram que o tinham que levar novamente. Foi sozinho para outra sala com as enfermeiras para ser vestido, pesado, sei lá. Nasceu o meu bebé, 50cm, 3,050Kgs, um APGAR de 9/10, e a minha cabeça só me dizia “ok, missão cumprida!” Demorei a ficar “pronta”, entre a expulsão da placenta e os séculos que estive a ser cosida. Não tenho a certeza mas tenho ideia que algures nesta fase trouxeram o bebé vestido e voltaram a levá-lo para a sala “de vestir”. Passou mais de uma hora. Só quando eu estava preparada para passar para o recobro é que nos trouxeram o Duarte. Nesta fase a auxiliar insistia que eu comesse primeiro e que só depois o iria buscar. Lembro-me de pedir para o trazerem, de insistir mesmo, Ele veio mas foi entregue ao pai “porque eu tinha que me alimentar”. Lá comi qualquer coisa, lá desapareceu a senhora é ficamos os 3 sozinhos na sala de recobro. Ele mamou só nesta sala. Só nesta altura, depois de toda a confusão passar é que senti que uma pequena explosão de emoção e me apaixonei pelo meu bebé e pela família que estávamos a formar.

Cerca de uma hora depois vieram levar-me para o quarto. Eram 2h30 e o hospital não permitia que os pais ficassem de noite pelo que fiquei sozinha com o Duarte. Esta separação custou muito (mesmo muito). Eu fiquei dorida numa cama de hospital com um bebé para cuidar, com um boost gigante de hormonas e com toda a vontade de partilhar toda aquela confusão de sentimentos. Passei a noite acordada com o bebé no colo e lembro-me de alguém passar e reclamar que não deveria estar com ele no colo e tanto tempo na mama. O pai só pode voltar às 11h do dia seguinte (só podiam estar das 11h às 20h). Não me podia ajudar durante a noite, não podia ver o banho, não podia vestir, não podia dar colo, excepto naquele intervalo de 9h. O pai era sempre tratado como um visita especial e não como o outro elemento da família em falta. Eu esperava sempre que o Tó chegasse para ir à casa de banho ou tomar banho. Lembro-me de evitar comer e beber para não deixar o bebé sozinho durante a noite. Lembro-me que come exceção na ronda da manhã, ninguém perguntava se precisava de ajuda.   Estivemos 3 noites no hospital, as equipas eram pouco simpáticas, havia muito pouco apoio às mães, mas eu não tinha termo de comparação e  senti que até correu tudo bem. Na verdade o importante tinha acontecido: eu estava bem, o Duarte estava bem, e também ninguém tinha sido propriamente antipático.

Com o Miguel a chegar procurei um hospital público que permitisse o pai passar a noite o que para nós na altura do Duarte tinha sido a grande questão. O hospital mais perto com esse requisito era o Pedro Hispano, em Matosinhos. Marquei uma visita, gostei do que ouvi. O hospital envolvia o pai, humanizava o parto e era um hospital amigo do bebé. Ok, hospital escolhido.

Tal como o irmão, o Miguel não estava a dar grandes sinais que estaria para nascer. Já me diziam que tinha dilatação há mais de um mês, já tinha saído o rolhão há semanas e nada do rapaz se decidir. Já eu andava a desesperar (e com a data da indução a chegar - o que poderia dar outro post...) e a tentar todos os truques e dicas para tentar que o rapaz quisesse conhecer o mundo. No dia em que ele nasceu disseram-me ao almoço que “não devia estar para já porque a barriga ainda parecia muito subida”. Pois... nessa tarde comecei com contrações regulares. Deitei-me para ver se passavam. Não passaram. Continuaram e estavam a ficar bem frequentes. Tinha um jantar combinado num sítio que eu adoro, jantei entre as contrações (e aquela calzone ganhou um lugar ainda mais especial no meu coração e estômago 😂) e quase com a minha mãe a querer pegar-me por uma orelha e levar-me ao hospital. Saímos do restaurante por volta das 21:30. Chegamos a Matosinhos e o enfermeiro da triagem da urgência obstetrícia perguntou-me se eu, enquanto mãe de segunda viagem, achava que estava mesmo em trabalho de parto. Sim, acho mesmo que sim! CTG, contrações muito frequentes, bolsa rebenta enquanto lá estou deitada. Uns minutos depois sou observada pelo GO de serviço. 7cm de dilatação, mas o bebé ainda um bocadinho subido. O enfermeiro pergunta se quero anestesia. Duvido. “Segundo filho e 7cm de dilatação, eu gostava de esperar mas não tem propriamente o tempo a seu favor”. Explico que queria alguma analgesia mas não quero passar a ser espectadora do parto, como no parto do Du. Ele tranquilizou-me “queremos todos que a Vera tenha um papel activo”. Ok, sim por favor! Passamos (agora já com o Tó) para uma das salas de partos (o hospital tem 6 salas individuais). Levei a anestesia (e o Tó teve um pequeno piripaque a ver a agulha). Chegou a enfermeira parteira mais querida da história (ok, e a única que conheço a sério porque o parto do Duarte foi conduzido por uma médica). “Como se sente”? Com vontade de fazer força mas o médico disse que o bebé ainda estava subido! “Sim, mas isso foi quando ele viu, agora ele na está mesmo aqui!”. (Algures neste processo apercebo-me que alguém faz sinal à enfermeira porque a monitorização apresentava algum sofrimento fetal). “Vamos fazer força!”. E eu bem que fiz, que tentei, que toquei na cabeça do bebé (tudo conduzido pela enfermeira) e não conseguia fazer o rapaz nascer. Às tantas a enfermeira pediu desculpa, tinha mesmo que fazer um ligeiro corte para nos ajudar e porque o bebé precisava de nascer. E o Miguel nasceu,  às 23h04 (já disse que às 21h20 ainda estava a tomar um café e a comer um brigadeiro?) e veio logo para cima de mim, deitado, ligado a mim, chorou ali e eu apaixonei-me perdidamente por aquele bebé grande, gordinho, por aquele milagre de vida. Cortei o cordão umbilical, ficou ali muito tempo comigo. A placenta saiu, fui cosida com ele ali comigo e pareceu tudo muito rápido. Pesaram-no e mediram-no  mesmo ali ao meu lado. 53cm, 37,5 de perímetro cefálico, 4,080kgs de bebé. Apgar 9/10. “Que grande! Parabéns!”. A enfermeira foi sempre tão querida e eu mal me lembro do que me disse, só da sensação incrível que foi. Voltaram a colocá-lo comigo, ele mamou. Deixaram-me comida e bebida “para quando me apetecesse”. Ficamos os três sozinhos. Foi mesmo incrível. Não havia pressas, ninguém ia embora, o Duarte não estava ali mas estava bem. Estávamos óptimos e eu sentia-me uma super mulher.

Umas horas (?) depois vieram buscar-me. Fui para o quarto. Havia um lanche para mim na cabeceira e eu tinha muita fome. Aliás, lembro-me de ter sempre muito fome e de não perceber como é que no do Duarte não sentia nada disto. O Miguel era um bebé grande e pediriam-me para garantir que comia em intervalos regulares e curtos porque ainda teria mais possibilidade de fazer hipoglicemias. O Miguel não estava muito de acordo, sonolento e mal se apercebendo que tinha nascido era muito difícil de acordar. Mas estava ali o pai, para o acordar, para o despir, para lhe trocar a fralda sempre que foi preciso. Estava ali o pai para me ajudar a levantar ou em tudo o que eu precisei, para o por a arrotar, para ver se estava a pegar bem na mama. Estava a partilhar o papel comigo, como dever e direito de pai. Ficamos novamente três noite, o apoio no internamento foi incrível. Boa disposição, simpatia, cuidado. O Serviço (entre enfermeiros, auxiliares, médicos e vários estagiários que por lá passaram) passa uma sensação felicidade e calma que nos permitiu perpetuar esse nosso estado de espírito.

Agora à distância percebo que o primeiro parto não foi bom, foi apenas rápido. Teve uma episiotomia enorme provavelmente desnecessária, delegou o meu papel, impediu o apoio do pai e da comunidade, não foi considerada nenhuma escolha minha, não houve empatia, só protocolo e processo. O segundo parto foi exatamente aquilo que eu queria. Calmo, acompanhado, com um papel activo. Eu participei naquele pequeno milagre e foi a melhor sensação do mundo. A paixão por este filho veio muito mais rapidamente (talvez pelo parto, talvez por ser um segundo filho, talvez por tudo), o internamento foi incrível, a recuperação foi muito rápida.

Não sei haverá um próximo parto, gostava que houvesse e gostava que fosse, no mínimo, igual a este segundo. Se poder ser ainda mais incrível, melhor. :) 

sábado, 23 de novembro de 2019

Oscilações

Olá, sou a Vera, estou grávida de 39 semanas e experimento 30 estados de espírito diferentes por dia.

Abri este rascunho para escrever sobre a minha mistura de sentimento nos últimos dias antes do Miguel nascer e apercebi-me que o último post que escrevi neste blogue, há 4 meses, era sobre exactamente a mesma temática. Pelo menos mantenho a coerência. 

Os últimos meses foram intensos. 

Em Setembro um vírus arruinou o meu sistema imunitário e seguiram-se uma catrefada de pequenos problemas que me deitaram a baixo. No final de Setembro estava fartinha de estar grávida. Entretanto já não conseguia continuar a trabalhar e precisei de parar o que, juntando às (muitas) pequenas maleitas, contribuiu zero para o meu bem estar mental. "Como assim vou estar tantos meses afastada desta minha rotina de trabalho? E o que estarei a adiar? E se as coisas correrem mal? E onde estará o meu lugar quando voltar? E????"   

Depois... fomos até São Miguel, numa viagem marcada muito tempo antes e da qual eu considerei muitas vezes desistir pelo cansaço (e dores) que sentia. Mas os Açores fizeram por mim o que os medicamentos não conseguiram fazer (ok, em parte ajudaram), e voltaram a trazer-me calma, boa disposição e paz com a minha barriga a crescer. 

Voltei, inscrevi-me no pilates pré-parto, nas aulas de preparação para o parto e comecei a organizar as coisas para o bebé e para a festa de anos do Duarte. Pelo meio ia descansando o que precisava. Fui-me afastando progressivamente do escritório e concentrado noutras coisas e noutras pessoas. Brinquei muito mais, organizei algumas coisas cá em casa, fiz bolos para oferecer só porque sim,  festejei o Halloween e permiti-me descansar e desfrutar deste bebé. 

Novembro chegou e, ao contrário da maior parte das grávidas de final de tempo que eu conheço eu estava a gostar tanto que só queria continuar grávida. Quando, há precisamente 2 semanas percebi que o rolhão mucoso tinha saído (o que é sinal que haverá um trabalho de parto muito provável nos próximos dias) fiquei genuinamente triste. Ainda queria este bebé só para mim mais um bocadinho, ainda não tinha desfrutado tudo o que queria desta barriga. "Como assim já"? 

Aproveitei estas duas semanas, organizei tudo o que ainda queria organizar. Tirei fotografias, preparei um calendário do advento para fazer com o Duarte, cortei o cabelo pequenino, fiz pão, organizei as últimas coisas para o bebé, adiantei algumas compras de Natal e decoramos a casa de vermelho e luz. Falta-me muito pouca coisa do que achava ser importante na lista de coisas que queria fazer antes do bebé nascer. 

Estou oficialmente à espera que ele nasça. Já sem medos mas sem pressas. Acho que já não tenho dúvidas. "Podes vir quando quiseres, já fui onde tinha de ir". Sinto que já não falta muito, mas posso esperar os dias que forem necessários desta exclusividade nossa tão boa. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Bipolaridade

Bipolaridade
Cheguei às 24 semanas de gravidez e há um misto de sensações gigante. A segunda gravidez é sem sombra de dúvidas mais cansativa que a primeira, sei que preciso parar de trabalhar entretanto para me preparar para o turbilhão que aí virá mas não sei bem como me sinto com esta perspectiva de parar nas próximas semanas. Não tenho a menor dúvida que a minha família é mais importante que o meu trabalho, mas também sei o quanto gosto da minha rotina. Sei perfeitamente o caos que se torna nos primeiros meses de vida do bebé e percebo que com outra criança em casa, manter a sanidade ainda deve ser mais caótico. 

Sei que preciso de descansar o corpo e não me faltam ideias sobre o que fazer no tempo de espera do bebé. Quero descansar, fazer caminhadas pequenas, arranjar espaço para as coisas do bebé, preparar o espaço dele. Quero ter tempo para dar atenção ao Duarte nas últimas semanas de filho único, fazer pão, arranjar as plantas e os armários. Quero voltar a ser uma pessoa com paciência para ouvir parvoíces de outras pessoas. Mas... também quero acompanhar os projectos em que me tanto me envolvi nos últimos meses, (tentar) garantir que corre tudo bem e que pouca coisa falhará. Passo os meus dias entre as sensações de "estou a morrer, preciso mesmo parar" e o "não, não vou parar, na verdade nem quero parar de todo".  Estou com um humor bipolar e oscilo entre ideias durante vários momentos do dia.
Entretanto "passamos" a barreira das 24 semanas, a marca da "viabilidade". A contagem parece cada vez mais perto do "fim" e o nervoso miudinho bom aumenta (ou o pânico, conforme a hora, lá está...). Há um bebé a caminho e isso é bom, assustador e cansativo.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Coisa de uma segunda gravidez

Às vezes arrependo-me de não ter escrito mais textos durante a gravidez do Duarte. Aliás, arrependo-me de não escrever no geral, mas isso são outros trinta. 

A minha memória diz-me que na gravidez do Duarte me senti sempre muito bem. Não me arrastava, não me custava subir escadas e facilmente saltava com 38 semanas de gravidez. Mas já passaram 4 anos desde "esse tempo" e já nem sei se seria mesmo SEMPRE assim. Lembro-me de ter azia, dormir meia sentada e isso não me parecia ser um problema. Lembro-me de ter dores na perna esquerda porque o rapaz insistia em fazer pressão num nervo qualquer estranho. Lembro-me que mesmo assim me senti bem mas também me lembro de descansar sempre que precisava. 

Agora... agora é tudo um bocadinho diferente. Todos os dias chegamos a casa e há uma rotina a cumprir. É preciso brincar, tomar banho, dar jantar, contar histórias e fazer companhia até adormecer. Depois há quase sempre um intruso pequenino na nossa cama a meio de noite. Não me deito cedo, não alapo no sofá, não tomo banhos grandes e relaxados. Os segundos filhos são forçosamente diferentes dos primeiros, por todas as razões e por esta também. É impossível uma gravidez igual. 

Desta vez quero escrever mais. Às 17 semanas eu sinto-me enorme, cansada e pouco ágil. Não me consigo levantar facilmente se estiver deitada de barriga para cima e sem apoios. Decidi voltar ao ginásio (mesmo que em modo slow), o que tem ajudado. Percebi que por agora não vou preparar grande coisa, ainda há muito tempo. Tenho a certeza que tudo se faz e organiza, e se vejo muitas desvantagens na minha forma física nesta segunda gravidez, sinto-me muito mais calma no que está para vir. 

O melhor de tudo: o Duarte tem sido um "irmão mais velho" muito querido. Fala algumas vezes no bebé, e relembra sempre que ele existe. Não podemos dizer "nós os 3" que ele corrige para "nós os 4". Na verdade, acho que ele ainda não tem noção do turbilhão que aí vem, mas por agora ele tem sido uma surpresa muito boa. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O primeiro dia de escola.

Querido Duarte, meu amor pequenino, GIGANTE. 

Hoje foi o teu primeiro dia de escola. Pensei muito esta semana se estaríamos efectivamente a fazer o melhor para ti, para todos nós.

Decidimos, quando nasceste, que irias ficar com as avós enquanto nos parecesse que isso era o melhor para ti. Há uns tempos começou-nos a parecer que talvez estivesse a chegar o momento. Precisas claramente de outros meninos e de brincadeiras de grupo. Precisas, parece-nos, de algumas regras que o amor infinito dos avós não deixa aplicar. Continuamos a querer que tenhas todo o mimo do mundo, mas vemos o menino que te tornaste e achamos que precisas mais. 

Hoje chegaste, exploraste o espaço e ignoraste todos os humanos à volta. Viemos trabalhar e deixamos que ficasses com a avó na sala, a avó saiu um bocadinho. Quando voltou, estavas bem. Quando voltou, disseste que querias voltar amanhã. Não sei como será quando passar a novidade. Tenho medo que chores depois. Por agora... vamos devagarinho. 

Perguntaram-me como é que eu tinha ficado. Fiquei de coração pequenino mas sempre a sorrir. Um dia vais perceber como é difícil e igualmente maravilhoso ver um filho crescer. E é ainda mais estranho ver-nos a crescer através dos outros. Mas bom. Mesmo muito bom. 

Amo-te. 
Mãe

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dois anos de ti

Dois anos de ti
Querido Duarte,

Meu pequeno rapazinho! Há dois anos que cá estás. Uau! Dois anos em que te acompanhamos, em que aprendemos a ouvir-nos e a ouvir-te, em que continuamente nos deliciamos.
Estás todos os dias menos bebé, mais rapaz. Tens vontades, ideias e  gostos. O tempo voa, como o cliché dita, mas não há como fugir dele. És sorridente, traquina, feliz. Deliras com animais, com motores e rodas, com botões e coisas eletrónicas, com "a rua" e com bolas! Começas a aprender a lidar com os impulsos e a frustração e o desafio destas lições é para todos nós. Eras um comilão adorável e agora decidiste que não queres sopa e que não gostas de algumas coisas. Estás muito mais desconfiado com a comida mas a fruta continua a ser uma verdadeira paixão.  Deixaste de gostar de piscinas onde não sintas o chão. Bates palmas sempre que estás feliz e danças de uma maneira tonta que derrete toda a gente. Depois de te ambientares és extraordinariamente simpático. Adoras dormir com companhia e acabas sempre a saltar cedinho para a nossa cama.
Não falas. Não falas mas expressas-te lindamente. Mesmo assim, o facto de isto estar "atrasado" deixa-me doida, confesso. Às vezes preciso de parar, olhar para ti, e ouvir o meu instinto dizer-me que estás bem, que estás a aprender coisas novas todos os dias e que daqui a nada desbloqueias a fala. Estou mortinha para poder "reclamar" de tanto que dizes. O pai continua a dizer que estás ótimo.

Este Outubro, fomos passear os três. Andaste de avião e portas-te lindamente. Fizemos uma espécie de road trip e adoraste. És um grande companheiro e foi muito bom termos finalmente as nossas férias merecidas. Prometo que tentaremos repetir todos os anos. Prometo mostrar-te coisas novas e bonitas. Prometo continuar a ser uma mãe ranhosa que luta sempre para te passar um tablet ou um telemóvel para a mão. Aposto que um dia me vais compreender.

Tens tudo de meigo e traquina. Tens um ar de rapazinho muito feliz. És tão querido, tão bonito e tão nosso que paro (paramos) muitas vezes a contemplar-te. Morremos de saudades quando estamos longe e acabamos por falar em ti nessas ausências. Somos uns pais chatos, babados e orgulhosos. Que o tempo voe, seja bem vivido e a nostalgia por todos os momentos bons continue.

Amo-te.
Mãe

Bolo número 4 de aniversário do Duarte.  Sim, é um bolo feio do qual eu muito me orgulho! :)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

7 coisas sobre viajar com bebés de avião

7 coisas sobre viajar com bebés de avião


No início do mês fomos passar uns dias à Bélgica. Uma espécie de mini-férias e o aproveitar dos últimos dias do Duarte com menos de 2 anos (e consequentemente com um preço de viagem mais simpático). Correu tudo muito bem. Sei que o Duarte nunca se irá lembrar destes dias, mas nós vamos e acredito que há sempre um bichinho que fica destas experiências boas. Descobri uma série de coisas sobre viajar com bebé que... podem dar jeito. :) 
  •  Custo: o bebé viaja no colo (até aos 24 meses) e consequentemente não paga bilhete. As companhias podem comprar uma taxa (a Ryanair cobra 20€ por viagem) mas o preço é sempre baixo.
  • Documentação: o normal... Cartão de Cidadão (viagem na UE) e Cartão de Embarque. Isto porque viajou com os pais. Não sei como funcionaria em caso de ir com outras pessoas ou apenas com um de nós. 
  • Bagagem: É possível transportar até dois módulos grandes (carrinho, cadeira do carro, cadeira da papa...) sem qualquer custo extra. Na Ryanair podemos ainda levar uma bagagem de 5kgs para o bebé, mas não percebi se é regra ou política da companhia. Os itens grandes viajam como bagagem de porão (para o qual deve ser feito check-in no balcão) mas o carro só é entregue na porta do avião. À saída do avião, o carro está "à espera". Esta vantagem não é exclusiva de crianças até aos dois anos, mas não sei qual a idade limite.
O que levamos connosco numa viagem de 5 dias no inverno: duas mochilas (é ótimo ter as mãos livres!), casacos, o carrinho bengala, e uma mala pequena com as coisas dele para a viagem (a tal até 5Kgs). Tinha a comida, fraldas, água e toda uma panóplia de brinquedos e livros. 
  • Mobilidade: Se o Duarte fosse mais pequenino não exitava em levar a mochila ergonómica. Como com 90cm e 14Kgs de gente o transporte agarradinho a mim já não é assim tão simples, optamos por levar o carrinho. Decidimos comprar um carrinho bengala para esta viagem, como iria no porão e seria potencialmente mal tratado não quis arriscar em enviar o carrinho do trio. Foi uma boa opção e vai passar a ser o carro "trator". :) 
  • Alimentação e Líquidos: É possível entrar com líquidos para o bebé (papas, boiões, leite, água, iogurtes...) sem restrições de capacidade da embalagem. Não li sobre a quantidade total máxima mas acredito que reine o bom senso... Não é suposto levar comida para TODOS os dias de estadia fora!! Pelo que o segurança do Aeroporto do Porto me explicou, este é um benefício dado para viagens com crianças até aos 8 anos. Não encontrei esta informação escrita.
  • Embarque: Aqui foi a parte "complicada". Na viagem do Porto para Bruxelas, o Duarte adormeceu no carrinho enquanto esperávamos que as portas abrissem. Mesmo assim, a hospedeira de bordo, incrivelmente querida, avisou-nos que teríamos prioridade no embarque se o pretendêssemos ou, caso não quiséssemos esperar ao frio com ele, nos avisava para irmos só no final. No regresso... com o Duarte aborrecido, depois de muito tempo na fila para a porta de embarque abrir, decidi perguntar se tínhamos prioridade no embarque, uma vez que simplificaria muito poder senta-lo e ir brincando com ele enquanto aguardávamos já no lugar. A resposta que obtive da companhia foi "pagou pela prioridade? não pagou, não tem". Assim, fico sem perceber se a prioridade que tivemos no Porto foi por questões legais ou por puro bom senso. Não é política da Ryanair. A Easyjet, por exemplo, anuncia que dá prioridade a famílias com bebés (depois da prioridade das pessoas que pagaram por ela, o que me parece justo)
  • Desconforto na viagem: Estávamos com algum receio. Pressão nas orelhas, muito tempo sentado, trocar fraldas, adormecer o rapaz, convencê-lo a estar com cinto... Humpf! Foi muito mais simples do que podíamos prever. Na viagem de ida, adormeceu ainda antes de embarcarmos, e só acordou a meio da viagem. Foi fácil entretê-lo com o lanche, jogos e livros que levamos. Quando começou a ficar aborrecido (e a tentar brincar com o cabelo da senhora da frente...) fomos dar uma voltinha no corredor. Troquei a fralda na casa de banho do avião e foi um bocadinho acrobático. O Duarte já é gigante para aquele espaço e estava deliciado a tirar toalhitas das mãos. Assim... enquanto o convencia a estar parado, apoiava o cotovelo na saída das toalhitas para impedir a brincadeira e o segurava para tocar o mínimo no wc (esqueci-me de levar base para trocar...), ainda trocava a fralda. Yeah, mãe-acrobata! Depois do passeio, voltamos para o lugar, o rapaz estava fascinado com a aterragem. No regresso, foi ainda mais simples. Vimos o avião levantar e depois... adormecemos os 3. Nesta fase valeu-me a mama para tornar tudo ainda mais simples. Dormiu durante toda a viagem. A mama era também o meu plano para potenciais problemas nos ouvidos durante o voo e por isso levei roupa que simplificava a amamentação (o lugar da pessoa com o bebé é, na Ryanair, forçosamente à janela, o que simplifica também este momento).
De uma forma geral foi mais simples e muito melhor do que a minha perspetiva mais optimista. Venham as próximas :)


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Escrever para não esquecer


Quando nos deitávamos, de janelas abertas para refrescar, ouvíamos os grilos a cantar. De manhã acordava sempre a ouvir os galos a dar os bons dias. O Duarte adormeceu sempre bem, dormiu sempre bem, acordou sempre com um sorriso. "Apesar" de todos os barulhos.

Nos primeiros dias fizemos sestas a três. Nem sabíamos a falta que nos fazia dormir sem horas e relógios. Ao terceiro dia, o descanso já era tanto que acordei com vontade de ir correr enquanto o resto da casa ainda acordava. Fui. Consegui correr 5Km em estrada, pela primeira vez. E ainda lhes juntei uns 3 na caminhada no regresso. 

Acabei de ler 4 livros. Não romances, livros práticos. É verdade que são fáceis e rápidos de ler, mas não deixam de requerer tempo. 

Apanhamos amoras, peras e figos. O Duarte encontrou um sapo, um gafanhoto, e um escaravelho. Delirou com os tratores. Viu alguns desenhos, mas passou a maior parte do tempo longe deles. 

Ia mentalizada para durante quatro dias baixar a guarda e ceder quanto às regras da alimentação. Afinal os avós não conseguem ver o rapaz chorar e ele já sabe aproveitar esse luxo. Não foi preciso muito. Dando-lhe espaço para explorar não há nada que o deixe triste (só deixa os adultos estafados!). Andou muitas vezes molhado, meio nu, quase sempre sujo. Tomou banhos infinitos para logo a seguir se voltar a sujar. Esteve sempre tão feliz. Cedi algumas vezes quanto aos doces. Deixei que lhe oferecessem croissant, bolo e gelado. Numa das vezes abriu o croissant e retirou o queijo. Noutra negou bolo e gelado a favor da melancia. Gostou muito do gelado que era à base de iogurte e fruta (mesmo que carregadinho de outras porcarias extra). Acredito que estamos a fazer um bom trabalho. 

Se o chatearmos muito ele vai soltando palavras. Ouvimos um "não", um "sim", e estou capaz de jurar que ouvi um "Mickey" também. 

Voltamos. Ainda não tinha saudades de casa (e eu que adoro a nossa casa). Preguiça, Praia, Parque. Nunca deixo de me deliciar com o privilégio de ter a praia já ali. E com a sorte de no caminho sempre encontrar um amigo. Fiz doce de pera, gelado e tomate seco. 

Hoje volto ao trabalho. Foram 5 dias incrivelmente bons. Regresso bem dormida, com muitas de ideias e de coração cheio.  

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A escola que temos

Por fim, há um problema que atravessa todas as disciplinas e que se prende com os métodos de ensino. Já li bastantes artigos sobre isto, não estou a inventar a pólvora, mas a verdade é que estamos a ensinar os miúdos em 2017 com métodos do século XIX. E se no nosso tempo a coisa já era uma seca, imagine-se agora, com putos que cresceram com mil canais de televisão e internet nos computadores e vivem com um telefone permanentemente nas mãos. É muito mais difícil captar a sua atenção e motivá-los. Por outro lado, sinto muitas vezes que não estamos a preparar estes miúdos para o futuro. Fazêmo-los decorar coisas e mais coisas mas não os ensinamos a ver o mundo. Estamos a dar-lhes uma série de conhecimentos obsoletos e banais, a fazê-los decorar coisas de que, na realidade, eles não vão precisar nunca mais (assim como assim está tudo no google), em vez de lhes darmos verdadeiras competências para o mundo real.
(...)
Finalmente, e esse é o último elemento que entra nesta equação: para que é que isto tudo serve? Quando era miúda, ouvi muitas vezes o discurso do tens de estudar para ser alguém. Ou, pelo menos, para ser aquilo que eu sonhava ser. Acreditava-se que os estudos abriam portas, portas que estavam vedadas a quem não trabalhasse o suficiente na escola e que nos iriam conduzir a uma vida melhor. Hoje em dia, apesar de eu ainda acreditar que estudar abre mesmo muitas portas - na cabeça e nas vidas das pessoas - é muito mais difícil conseguir convencer os miúdos disto. Todos os dias eles têm exemplos de pessoas que não estudaram nada e conseguiram ter sucesso (na televisão, na internet, no desporto...) , e também vão encontrando pessoas que estudaram mesmo muito e com resultados excelentes e não conseguiram fazer grande coisa da sua vida. Assim fica mais difícil a tarefa de uma mãe.

Ando a digerir este texto da Gata há alguns dias. O tema "educação" é mais um dos que me tornei sensível depois do Duarte. E por longe que ainda estejam estes tempos para "o meu", tenho sempre uma grande angústia ao pensar no que estamos a fazer às nossas crianças. 

Olho para o ensino e parece-me estar tudo errado. Da-mos péssimas condições de trabalho aos professores, enfiamos 30 crianças numa sala e trocamos os professores anualmente (como se espera que conheçam os miúdos assim?). Acrescento ainda que, pelo que me parece, temos cada vez mais professores que escolhem a profissão porque "é o que sobra". Sem qualquer gosto ou vocação. E esta maravilhosa ideia dos centros escolares. Pré-primária e primária juntas, centenas de crianças pequeninas na mesma escola. Adeus conceito "familiar". 

Conheço dois casos muito próximos em que vejo as injustiças do modelo de ensino. Um miúdo com uma boa cultura geral, inteligente e interessado mas com graves problemas de auto-confiança acaba o ano com uma catrefada de 3 na pauta e até uma negativa. O outro, um grande vendedor de banha da cobra, mentiroso, cheio de atalhos, consegue decorar muito mas não compreende nada, sabe vender-se lindamente. Resultou em muitos 4. "Exemplar". Não consigo explicar a agonia que isto me provoca. É claro que acredito que a longo prazo seja o primeiro miúdo que vá ter mais sucesso. Preciso de acreditar nisso mas... parece tudo muito trocado.

Gostei tanto de andar na escola, gostava tanto de saber transmitir este gosto para o Duarte. Gostava que ele percebesse que a matemática não é difícil, os números encaixam todos, dançam tão bem. Queria que ele compreendesse que a História é importante e que saber os porquês da Ciência não são uma seca sem sentido.  Não sei como se passa tudo isto e tenho mesmo medo de falhar. Resta-me não me esquecer de tentar sempre. .

quinta-feira, 25 de maio de 2017

E se deixasseemos as crianças serem crianças?

E se deixasseemos as crianças serem crianças?
imagem algures no Pinterest
Ontem conversava com umas amigas (caramba, vejo a nossa "adultez" na quantidade de amigas com filhos que tenho!) sobre programas curriculares. Odeio ouvir falar em planos curriculares, em objectivos, em fichas de acompanhamento quando se trata de crianças tão pequenas. Mais... eu acho que mesmo a escola primária (não gosto de dizer primeiro ciclo ok?) deveria ser levada ainda a brincar.

Não sei até quando conseguirei "proteger" o Duarte desta pressão. Tenho a sorte de o poder deixar com os avós e quero aproveitar esta lotaria ao máximo. O rapaz pode ser índio à vontade, e isso deixa-em tão feliz. Dorme ao ritmo dele, passa muitas horas ao ar livre, e suja-se. Suja-se MUITO. É verdade que se estivesse uma cresce talvez já falasse um pouco mais mas muito provavelmente não saberia apanhar morangos nem gostaria de receber beijos nojentos das cadelas. Acredito que uma criança precisa para ser saudável (física e mentalmente) é muito pouco. Tento fugir das metas. Não quero saber (ou pelo menos se parar para pensar sei que não quero) o que "é suposto ele saber fazer com esta idade". A informação, o contacto, a sociedade, está a tornar-nos tão assustadoramente exigentes!

"Com esta idade, ele já deveria saber falar mais, já devia saber cores, já devia...". Não, não acho que devia. Talvez até eu lhe conseguisse ensinar mas... o que estaria ele a perder? Isto não é uma corrida, não é desta infância que eu me lembro. Confesso-me fascinada pela Pedagogia Waldorf. Adoro a ideia de se respeitar o ritmo, de se ensinar por desafios, por contacto, pela liberdade, pelo mundo. Claro que tudo isto é muito difícil. É preciso professores preparados e vocacionados. É preciso turmas pequenas, escolas com muito espaço. Não acho que seja fácil integrar tudo isto no sistema público e sou totalmente a favor do ensino público.  Não sou fundamentalista e também não tenho a certeza de como funcionaria a integração. Nem sequer tenho uma escola destas a uma distância real.

Não sendo uma realidade para mim (ou muitos de nós), acho cabe  fazermos a nossa parte. Deixa-los ser crianças. Não dramatizar com metas. Deixa-los sujar-se na terra, correr, cair. Leva-los a passear, ao parque, à praia, ao jardim. Viajar, mesmo que perto. Há sempre coisas diferentes para ver. Dar muito tempo para brincar. Conversar, dar tempo de qualidade (mesmo que infelizmente pouco). Dar-lhe liberdade para escolher mas impor regras, limitar gadgets. Deixa-los ser crianças. Para ser adulto há muito tempo...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Escrever para não esquecer

Escrever para não esquecer

No Sábado tivemos um casamento. A viagem até à bonita igreja durava mais de uma hora e, com a excepção dos noivos, conheciamos oito convidados. Decidimos não levar o Duarte. Do alto dos seus 19 decididos meses que querem muita liberdade e pouco protocolo, achamos que ficava melhor entregue aos avós. Pediram-nos que ficasse lá a dormir com a promessa de que se ele não estivesse bem nos ligavam. Fomos até ao Gerês e podemos ser adultos sem filhos. Claro que falamos nele, claro que pensamos nele, mas foi muito, muito, muito bom conversar sem correr, sem intercalar com o pai, sem avaliar perigos. Ele ficou bem, com toda a atenção do mundo, com toda a liberdade. No Domingo percebemos que depois de se ter molhado andou nu no pátio, tão feliz. Os avós, pareciam crianças no dia de Natal. 

Eu tive mais uma série de certezas absultas deitadas por terra. Antigamente achava que os casamentos eram festas de família, para irmos todos. Não acho que sejam sempre. Achava que iria ser sempre fácil deixar o Duarte em casa dos avós quando precisasse, até porque eu adorava ficar em casa dos meus avós. Não é. Não sendo esta sequer a primeira vez, é difícil. É bom, mas é difícil. Mas se é verdade que eu acredito que é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança, tenho que saber dar a criança à aldeia.

Chegamos tarde, podemos dormir até ao meio dia. Não faço ideia de quando foi a última vez que isto tinha acontecido. No final do dia, fomos os três até à praia. Pela primeira vez, o Duarte caminhou na areia. Estava um dia incrivel, sem vento e sem gente. Houve até tempo para passar no parque, foi mesmo bom.

Preciso de escrever para não me esquecer. O bom que é ter tanta gente em quem confiar o Duarte. A felicidade deles. A sensação nova de caminhar na areia. A "aldeia".

 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Se estivessem a fazer a review do vosso filho na amazon... quantas estrelas lhe dariam?

Se estivessem a fazer a review do vosso filho na amazon... quantas estrelas lhe dariam?

A propósito desta thread do Reddit que me fez rir uns bons minutos, aceitei o desafio e respondi à pergunta. :D
   

4/5 O produto está de acordo com as expectativas. É carinhoso, fofinho e amoroso, como descrito. Tem alguns problemas no botão de desligar. Quando começa a perder a bateria não é muito simples recarregar na primeira tentativa. As gargalhadas são fantásticas! Após 17 meses a experimentar o produto posso garantir que vou de certeza voltar a encomendar.

Prós:
- Entrega rápida.
- A apresentação produto real supera largamente a expectativa e as fotografias apresentadas.
- Muito veloz.
- Óptimo para animar os dias maus.
- De uma forma geral a manutenção é simples.
- Excelente Qualidade e robustez. Tem até funções de auto-reparação.

Cons:
- A embalagem no momento da entrega
- Picos de crescimento atípicos. Muito lento e mais tarde extremamente acelerado. Tudo dentro do aceitável pelo manual contudo dificulta o transporte.
- Linguagem verbal pouco perceptível.
- Viciante
- Por vezes parece ter a funcionalidade "audição desligada".
- Não está provado que a função "Sono" possa ter um tempo superior a 5 horas.
- Sem Garantia


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ganhei um livro numa pausa do trabalho*

 
*Texto escrito como comentário ao post da Rita Ferro Alvim que no final valeu-me o livro!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Não quero criar uma máquina

Não quero criar uma máquina

Enquanto estava grávida pensei algumas vezes sobre o que seria suposto fazer para ser uma boa mãe. O Duarte nasceu e eu fui ganhando confiança e certezas. Acho, pelo menos na maior parte das vezes, que sou a melhor mãe do mundo para ele. A Mãe dele.

O meu problema actual é outro. Enquanto ele é pequenino, parece-me fácil mas... será que serei capaz de o ensinar a ser feliz e o tornar numa pessoa boa. Não há carapaças, e se há um mundo lá fora que tem tantas coisas boas e vale mesmo a pena ser explorado é também verdade que esse mundo é tão GRANDE! Como se aprende (e ensina?) a gerir a enorme quantidade de informação e de mundo que nos chega diariamente?

A informação. Será que algum dia saberei ensinar alguém a lidar com toda aquela informação que nos chega? Começamos logo pelas fontes. A grande parte dos jornais está longe de ser a fonte fidedigna e imparcial de informação, estão cada vez mais comerciais. A internet está cheia de pseudo-estudos cheios de pontas soltas e sem conclusões que provam tudo e mais alguma coisa. A propagação da informação nem sempre é a mais correcta, os blogues não deixam de ser pessoais. 

Há teorias para todos os gostos e feitios e, arrisco, muito pouco bom senso. Há muitas pessoas a achar que só há um caminho correcto. A questão das escolas faz-me muita confusão. Estamos a criar uma geração que passa horas infinitas fechada nas escolas, entre actividades criadas porque os pais que não os podem ir buscar mais cedo, aulas de substituição, dezenas de trabalhos de casa. Parece-me um caminho tão infeliz.

Não sei bem como se ensina a gostar da escola, a gostar de estudar, a saber tomar opções e viver num mundo tão confuso. Não sei como se ensina a ser feliz. Sei que os meus pais foram aconselhados a adiar um ano a minha entrada na escola "porque a professora era muito pouco rígida e quase nunca marcava trabalhos de casa". Sabiamente ignoraram o conselho e eu adorei a escola e a professora. Sei que era muito bom sair às 15h30, e ter muito tempo pela frente. Sei que a escola é muito mais que aprender matemática e português e que é fora das quatro paredes que se aprender a Ser Pessoa. Sei que nunca me senti enjaulada, que apesar de todos os pseudo-problemas de uma criança/adolescente, sempre fui feliz. Odeio o conceito de aulas de substituição sem nexo e quilos de trabalho de casa "para aprender mais".
  
Dizia-me um amigo há uns tempos que nós deveríamos ir viver para outro país, porque "na nossa área, lá fora, seriamos ricos". Não, não é isso que eu quero, tenho a certeza. Adorava ter vivido lá fora uns tempos pela experiência. Deixou de ser um plano depois do Duarte nasceu.  A sociedade está a afastar-nos cada vez mais da comunidade em que sempre vivemos. Sei que há muitas pessoas que não têm alternativa, mas eu tenho. Eu tenho o privilégio de poder deixar o meu filho com os avós, de  saber que esteve a ver a avó a tratar das galinhas e que pede uma tangerina sempre que passa pela árvore. Saber que se sujou, que se deitou no chão e que fez aquela vizinhança um bocadinho mais feliz. Sei que quero mesmo encontrar, quando chegar a hora, uma pré-escola onde ele passe o dia a brincar. Adoro pensar que um dia poderei dar-lhes a opção de sair mais cedo da escola porque há um avô por perto para o ir buscar, para brincar muito. Penso no meu horário para poder entrar mais cedo e sair enquanto há luz para poder estar com ele. 

Não sei bem qual é o caminho, como se ensina tudo isto. Como explicar que até podemos não concordar com as regras mas temos que as seguir, podemos é lutar para muda-las. Que há muitos caminhos certos e outros tantos errados e é preciso escolher, saber ver as boas pessoas, ler as entre-linhas. Não sei bem qual é o caminho, mas penso várias vezes nisto.





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

5 livros para bebés de 1 ano

5 livros para bebés de 1 ano
E por falar ter livros à disposição para despertar o interesse, cá estão 5 das últimas aquisições lá para casa.

O Geraldo é uma girafa desengonçada que, todos os anos teme a chegada do baile da selva. Um dia descobre que afinal... estava apenas a dançar a música errada! Não existe em português a versão em capa dura, por isso comprei a versão inglesa.

Num domingo de manhã nasce uma pequena dentro do ovo saiu uma lagartinha magra e esfomeada. Acompanhamos a saga da pequena comilona ao longo da semana até se transformar... numa bela borboleta. As ilustrações são muito giras e, na versão cartonada em inglês, há buraquinhos na comida e páginas engraçadas para mais interacção.


Livro da colecção toca e sente. Cada animal tem uma textura engraçada para ser explorado. As imagens são muito fofinhas e todos os animais são possíveis de imitar pelo mais aluados dos pais (cof cof)
 

Animais!
Na verdade... este ainda não chegou lá a casa, está a caminho. :) Nove pequenos livrinhos com animais. É desta que ponho o miudo queitinho num sítio a brincar com a mesma coisa mais de 10 minutos. Ou...a  começar a falar. Ou... nenhuma das duas! ;)


Este é tão, mas tão giro! Acho que ainda não há em edição portuguesa, mas todo o livro está cheio de surpresas que...não precisam de tradução! Em cada página há uma janelinha que esconde sempre alguma coisa. Ainda não consigo deixar o Duarte brincar brincar sozinho pela sobrevivência do livro mas assim que começar a resultar, continuamos a colecção peekaboo! :)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Não Há Mimo A Mais

Não Há Mimo A Mais


Mimo

Dizia ontem a uns amigos que o segredo para sermos bons pais é só não complicar. Ser mãe não é complicado, NÓS humanos (ocidentais?) somos complicados.
Sou um pessoa trabalhada para lógica. Gosto muito de prever o que vai acontecer e planear planos B e C caso alguma coisa corra mal. Sou até um bocadinho resistente a mudanças grandes. Ora... isto é muito bom para lidar com máquinas, não com gravidezes, cheias de variáveis.

Quando decidimos ter um bebé, fiz tudo o que seria suposto: consultas, análises de rotina, aplicações no telemóvel, suplementos de ácido fólico três meses antes de começar a tentar. Engravidei na primeira tentativa. Fiz o teste, marquei um exame mal vimos o postivo. Fiz uma ecografia às 5 semanas (demasiado cedo). Nova ecografia às 8 semanas (aqui, o embrião já terá batimento cardíaco e clinicamente é a altura certa para poder começar a "ver" alguma coisa). Esta ecografia mostrou um embrião sem batimentos. Tudo bem. Já tinha entretanto lido que cerca de 25% das gravidezes não evoluem, eu estava nesses números por isso vamos lá tratar disto. Expliquem-me o que é preciso saber e fazer. Fiz o que havia a fazer. Geri os dramas externos a nós. Esperei novamente. Engravidei novamente no primeiro mês de tentativas.

A minha gravidez foi muito fácil. Pouco desconforto, um bebé a evoluir bem, uma mãe a sentir-se sempre normal. Nunca senti uma empatia extrema com o meu bebé. Estava feliz, era mesmo aquilo que queríamos, adorei ver a minha barriga crescer mas nunca senti estrelinhas nem vi corações a florescer.

Um vez mais fiz o que estava ao meu alcance para me preparar. Li vários livros sobre o assunto, pesquisei o que precisava ou não efectivamente de comprar e vi testes comparativos, fiz listas intermináveis no Excel, fiz todos os exames e mais alguns, preparei um quarto lindo, entrei num grupo de mães no Facebook e inscrevi-me num curso de preparação para o parto e parentalidade (CPPP). E foi aqui que comecei a ouvir coisas que me fizeram começar a ver as coisas de outra forma.

Primeiro de tudo: comecei a perceber que estes cursos não deveriam ser precisos para nada! Pela primeira vez, apresentaram-me uma série de conceitos que tocaram em alguma parte de mim menos matemática... Acho que só ali comecei a ouvir coisas que faziam para mim algum sentido. O curso foi um ENORME arruinar de mitos que eu tinha mais que enraizados e não questionados.

Não há mimo a mais, não há colo a mais, não há leite materno "fraco" ou "pouco", não há problema em ter um bebé a dormir no quarto dos pais, há poucos medicamentos que interfiram com a amamentação, os partos não precisam de ser mecanizados, nem tudo se resume a "cólicas", contraceptivos hormonais não são a última Coca-Cola no deserto. Oi? Como assim? A sério? Afinal, quem me estava a passar todas estas ideias, muito bem fundamentadas e explicadas, era uma enfermeira num Centro de Saúde e parecia que tudo estava a fazer muito sentido para mim. Mas, mas, mas?

Comecei a procurar mais sobre estas ideias e a questionar outras tantas. Há muitas explicações e há muito a dizer sobre qualquer uma delas.

Li o Bejame Mucho do Carlos Gonzalez. Os livros da Constança Cordeiro Ferreira. Encontrei conceitos de Parentalidade Positiva. Encontrei o BLW, descobri as ideias de Montessori. Comecei a estar mais atenta a ao que algumas amigas do tal grupo das mães me diziam e que eu achava "demasiado hippie style para mim".

O Duarte nasceu e com ele chegou aquele amor incondicional que durante toda a gravidez eu tive medo de não aparecer. E chegou o instinto e a percepção do que quero ou não para ele.

Ouvi todas as coisas espectáveis.
"Estás a dar colo a mais, ele vai ficar mal habituado". Sorria. Algumas vezes explicava que não, que não há colo a mais. Que os bebés precisam de colo e de segurança. Que a própria selecção natural eliminou aqueles que não precisavam de contacto. Que eu não deixo NINGUÉM de quem gosto a chorar sozinho, muito menos um bebé indefeso.
"Estás a dar mama a mais". Ora vamos lá... não há mama a mais. O bebé tem um estômago pequenino e digere muito rápido, está a crescer a ritmo alucinado e aprender muitas coisas. Pode precisar de comer MUITAS vezes por dia. A mama não é só comida, também é conforto, é mimo! Ele pode ter dores, pode estar assustado ou confuso. Sim... reconforto. No limite, a mama é o liquido que mata a sede. Negam água a alguém?
"O teu leite é fraco, devias dar leite adaptado para ele engordar". O Duarte teve, efectivamente, uma adaptação ao mundo complicada. Demorou muito tempo a ganhar peso. Acabei por ter que introduzir suplemento aos 3 meses que continuou a não contribuir para o aumento de peso espectável. Chegamos a fazer análises, estava tudo bem. O leite de fórmula é uma óptima alternativa não havendo outras soluções, neste caso havia e EU QUERIA amamentar. Não correu da forma ideal, mas foi preciso um grande finca pé meu para não o introduzir nos sólidos antes dele estar preparado. Hoje tenho um gorducho que adoro comer, brócolos, sopa, fruta incluídos. Vamos combinar uma coisa... Não digam a uma mãe que quer amamentar, que tem um filho saudável, reactivo e sorridente que o leite de uma vaca é muito melhor para ele do que o leite dela. Não é.
"O bebé TEM que ir para o quarto dele". Tem? A sério? Como é que a humanidade sobreviveu tantos séculos em casas de uma só assoalhada com toda a gente a dormir ao molho? Somos uma cambada de traumatizados? Porque é que alguém tem intervir sobre quem é que dorme no MEU quarto? Eu dormi no quarto dos meus pais durante anos e estou aqui fresca, fofa e muito normal.

Já passou mais de um ano desde que o Duarte nasceu. Tenho um bebé que gosta muito menos no colo do que eu gostaria de lhe dar, mas tenho pelo menos a consciência que lhe dei todo o que podia e que ele pediu. Mama antes de dormir e 1 ou 2 vezes durante a noite. O normal para ele. Acho, como a maioria dos pais acha (e ainda bem), que estamos a fazer um óptimo trabalho.

Tenho imensas saudades do meu bebé pequenino mas estou a adorar cada fase e melhor... Estou a aproveitar cada momento muito bem (dentro das poucas horas que tenho para estarmos juntos). Por vezes apetece-me adormecê-lo na nossa cama e ele fica por lá. Outras noites só vem quase de manhã. Trabalho e continuo a amamentar. Já estive dois dias longe do meu bebé. Dou-lhe todo o mimo do mundo quando estou com ele. Os avós, quando não estou, fazem o mesmo. Há agora novos desafios a começar: começa a expressar a vontade dele, é preciso impor regras, estabelecer limites e por vezes, como é normal, tudo isto é cansativo, desesperante.

Não sou contra os hospitais, o leite adaptado, ou bebés a dormir sozinhos no quarto deles. Felizmente temos a ciência ao nosso lado para nos dar todo o apoio necessário. Sou contra profissionais de saúde mal informados e donos da razão. Ou vizinhos do lado. Ou quem quer que seja.  Sou a favor de ouvirmos o que nós pais achamos certo para o bebé. É isto que devíamos todos fazer, dizer aos pais que aquilo que eles SENTEM que está certo. Dizer-lhes que devem ouvir os bebés deles e fazer o que o instinto deles lhes diz. Não há uma fórmula única e só uma resposta certa. Somos todos tão diferentes. Não é possível "avariar" um bebé. Um bebé muito pequenino não tem manhas, nem sequer tem o cérebro suficientemente desenvolvido para ter mais do que reflexos/instintos. O amor não estraga ninguém. Nem a segurança ou o respeito.

Mimo

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

8 sugestões para incentivar o gosto pelos livros

8 sugestões para incentivar o gosto pelos livros

Sempre gostei de livros. Os livros são mágicos, são especiais, mostram o mundo de outras perspectivas, são uma óptima companhia. 

Gosto de livros cheios de letras ou cheios de imagens, grande ou pequenos, de fantasia ou técnicos. Gosto até de livros maus! Disse há uns anos que, se um filho meu não gostasse de livros o deserdaria! Na verdade... agora à luz dos anos e com muito mais minutos dedicados a perceber o mundo do ponto de vista de uma criança, acho que o "culto" dos livros não é propriamente um gosto genético, é um prazer adquirido. Podemos ter mais ou menos propensão para gostar de actividades paradas e manter-nos na mesma coisa durante séculos (eu era assim, o Duarte não é assim), mas... independentemente da personalidade de cada um, há muito que se pode fazer para incentivar uma criança a gostar de livros. 

1. Dar o exemplo - As crianças são verdadeiras esponjas do ambiente que as rodeia. Isto serve para tudo, claro. Ver os pais e os que o rodeiam a ler, ver entusiasmo nos livros.
2. Ter livros à disposição - Sempre gostei de livros infantis (há histórias mesmo bonitas e as ilustrações... ai as ilustrações!) e tenho vários. No entanto... não são os livros que se adaptem a um bebé de 1 ano. São livros bonitos mas frágeis. As histórias ainda não se adequam à idade e não o deixo explorar o livro sem ter 20 olhos em cima... Por isso estes livros não são interessantes para ele: poder explorar os livros é uma necessidade para o meu bebé (e tantos outros!): virar páginas, apontar figuras, sentir a textura. Estes livros, DELE, estão estão num cantinho próprio sempre perto dos outros brinquedos. Há também lugar para os livros dele na estante grande e lugar para eles no quarto dele (e para ler por lá).
3. Adaptar os livros à criança - Para esta fase, apostamos em livros de cartão, com texturas diferentes nas páginas, com janelinhas para abrir e fechar, com sons... Muitos com animais, alguns com frutas (as paixões do momento). Os primeiros livros apostavam forte no contraste, eram mais maleáveis, tinham espelhos...
4. Livros desde sempre - Neste altura, gostava de incluir a leitura na rotina da hora de dormir. No entanto, os nossos horários malucos e o facto de estar muitas vezes sozinha com o Duarte à noite fizeram com que dificilmente fosse possível incluir essa passo na rotina. No entanto, os livros sempre foram estando presentes. Há livros para o banho, livros no carro, livros nos avós... A hora da história antes de dormir espero conseguir instalar durante este ano.
5. Ler com ele - Os livros não devem ser mais um brinquedo que está na estante. Para que possam ser correctamente explorados é importante ter também a nossa ajuda. Quando vejo interesse num livro e estou por ali tento explorar com ele. É mesmo muito giro.
6. Visitas à Biblioteca - A biblioteca local tem um espaço muito giro para bebés. Uma área protegida, cheia de brinquedos para serem explorados. Há também actividades dedicadas à leitura como "A Hora do Conto". Fomos uma vez e foi um sucesso (mesmo com um Duarte cheio de sono!)
7. Livros não são castigo - Nunca, nunca, nunca associar o livro a uma experiência negativa.
8. Permitir a escolha - Oferecer várias opções, deixar escolher o livro que vamos ler. Lá por casa, os animais e frutos são os preferidos do momento.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

366 dias depois

366 dias depois


Querido Duarte,

Há um ano atrás, adormecia meio aborrecida porque achava que, apesar de estar a completar as 40semanas, tu ainda irias demorar a chegar. Não que me estivesse a incomodar (obrigado filho, foste um inquilino muito amoroso!) mas já me andavam a "ameaçar" com o tempo.

Nasceste quando sentiste que era a hora de veres o mundo, sem grandes ansiedades ou avisos, num parto que eu só posso descrever como "muito a nossa cara" se é que tal expressão se pode aplicar ao momento. Não me apaixonei por ti à primeira vista. Acho que estava mais preocupada em certificar-me que estavas mesmo bem. A tua expressão dizia que talvez não tivesse sido boa ideia seres tão curioso... Mas depois, os minutos passaram, deixaram-nos aos 3 sozinhos. A ansiedade e a expectativa começaram a dar lugar a um formigueiro. Não conseguíamos tirar os olhos de ti. Nem sequer queríamos! Ali estavas tu, metade mãe, metade pai, a única prova impossível de apagar deste nosso amor. Os 3 assustados, os 3 seguros, os 3 afinal, naturalmente capazes.

Gostamos de muita coisa este ano. A forma como passamos a adorar as palavras Pai, Mãe, Filho. A paixão arrebatadora e instintiva que temos por ti e que abala todas as nossas antigas certezas. As gargalhadas que enchem os nossos corações nos dias mais difíceis. A tua curiosidade pelo mundo. A forma como olhas atento para todas as coisas que te mostramos. Dia após dia, hora após hora, no último ano o nosso coração cresceu mais um bocadinho para ter espaço para tudo o que sentimos por ti. És bonito, simpático, curioso, feliz. És tão perfeito! Gostamos tanto de ser os teus pais!

Passou um ano e é inevitável pensar no teu futuro. Não sei como serás mas queremos muito ensinar-te o que acreditamos que te ajudará a ser feliz. Quero que percebas a importância do amor. Por nós, pelos nossos, pelo "outro" ou pela pessoa que um dia te fará sentir borboletas na barriga. Queremos ajudar-te a não ter medo, a não desistir, a ter paciência, a cair, a levantar-te, a desenrascar. Queremos mostrar-te que é bom ser curioso, que o mundo e a vida podem ser por vezes escuros mas no final há sempre luz e cor. Queremos que percebas o quanto é importante ter um espirito crítico, pensar por ti, lutar pelo que acreditas. Queremos te ensinar a apreciar. O mar, o tempo com os que amas, os livros, o sol, os sonhos, os abraços, a música, a fruta que apanhamos da árvore, os lugares bonitos e os outros também, o calor da lareira quando há gelo lá fora, os pés descalsos.

Passou um ano e há muito que festejar. Foi o ano mais bonito e mais colorido das nossas vidas porque tu chegaste, cheio de sorrisos bons. Que venham muitos mais.

Obrigada por nos deixares de coração cheio por sermos teus pais.

Um beijinho

quarta-feira, 16 de março de 2016

Não há pressa.

Meu pequenino,

O tempo voou, como se esperia. Voa sempre que estamos felizes.
A vida flui a um bom ritmo. A caixa da roupa que já não serve está todos os dias mais cheia, estás cada vez mais curioso com o mundo e o nosso amor por ti cresce exponencialmente.
Como os 5 meses chegou a hora de passares a estar com as avós. Deixei de te ter todos os dias, todas as horas, aninhado em mim. Destruiste mais uma das minhas antigas certezas, a que achava que nunca seria feliz a ser mãe "não trabalhadora". Talvez não fosse bem assim. Voltar ao trabalho tem coisas boas mas parece-me cedo de mais. O coração fica pequenino. Vou perder tantas etapas, tantos sorrisos, tantas conquistas! Fico-me pelo desejo de um dia poder viver estas etapas com os meus netos.
Chegamos juntos a uma nova fase. Deixamos a amamentação exclusiva e começamos num mundo novo de sabores. Devagarinho, sem pressa. Comer tem que ser um prazer e não um martírio. Tens tempo. Temos tempo.
Os sonos de dia estão menos atribulados, as noite complicaram ligeiramente. Aos poucos vais aprendendo que nunca estarás sozinho, podes dormir em paz. Quando chegar a hora dormirás no teu quarto. Quando chegar a hora, não há pressa.
A redução do tempo para ti faz-me querer aproveitar-te ainda mais. Quase fico com remorsos por ter planos que não te incluam. Sei que ficas bem. Sei que ficas melhor do que connosco mas contemplar-te passou a ser um dos nossos passatempos preferidos. Dar-te beijinhos, ferrar-te os pés, ver-te perdido de riso, sentir o teu cheiro, ter-te aninhado em nós tem agora o valor de uma volta ao mundo.
Por agora, a Primavera está a chegar, os dias estão mais azuis e maiores e eu estou cheia de planos para nós.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Um despertador de 5kgs

Um despertador de 5kgs
Mas Mas O Duarte dorme (relativamente bem) durante a noite. Adormece pouco depois das 21h e só vai acordando para comer. Como e volta a adormecer rapidamente. 

Problema: no máximo às 7h30 avisa que tudo muito bem, mas é hora de brincar! E se até há bem pouco tempo a minha resposta era "oh, anda lá, só mais um bocadinho...", agora tenho desistido de lutar (até porque esta aproximação acabava sempre em choro para ele e frustração para mim). Ele acorda, brincamos, cantamos, dançamos e por volta das 9h ele já está novamente cheio de sono. Aí... eu decido se quero voltar a dormir com ele ou fazer outras coisas (enquanto isto ainda é uma opção).

Ontem, depois do mimo da "madrugada", deixei os rapazes em casa e fui caminhar. Foram pouco mais de 4km (e eu senti que andei uma maratona!) mas souberam-me pela vida. Acho que acabaram os sábados de manhã de preguiça para os próximos anos mas... Chegaram os dias melhor aproveitados!



Copyright © 2016 De Mel e de Sal , Blogger