Escrever para não esquecer


No Sábado tivemos um casamento. A viagem até à bonita igreja durava mais de uma hora e, com a excepção dos noivos, conheciamos oito convidados. Decidimos não levar o Duarte. Do alto dos seus 19 decididos meses que querem muita liberdade e pouco protocolo, achamos que ficava melhor entregue aos avós. Pediram-nos que ficasse lá a dormir com a promessa de que se ele não estivesse bem nos ligavam. Fomos até ao Gerês e podemos ser adultos sem filhos. Claro que falamos nele, claro que pensamos nele, mas foi muito, muito, muito bom conversar sem correr, sem intercalar com o pai, sem avaliar perigos. Ele ficou bem, com toda a atenção do mundo, com toda a liberdade. No Domingo percebemos que depois de se ter molhado andou nu no pátio, tão feliz. Os avós, pareciam crianças no dia de Natal. 

Eu tive mais uma série de certezas absultas deitadas por terra. Antigamente achava que os casamentos eram festas de família, para irmos todos. Não acho que sejam sempre. Achava que iria ser sempre fácil deixar o Duarte em casa dos avós quando precisasse, até porque eu adorava ficar em casa dos meus avós. Não é. Não sendo esta sequer a primeira vez, é difícil. É bom, mas é difícil. Mas se é verdade que eu acredito que é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança, tenho que saber dar a criança à aldeia.

Chegamos tarde, podemos dormir até ao meio dia. Não faço ideia de quando foi a última vez que isto tinha acontecido. No final do dia, fomos os três até à praia. Pela primeira vez, o Duarte caminhou na areia. Estava um dia incrivel, sem vento e sem gente. Houve até tempo para passar no parque, foi mesmo bom.

Preciso de escrever para não me esquecer. O bom que é ter tanta gente em quem confiar o Duarte. A felicidade deles. A sensação nova de caminhar na areia. A "aldeia".

 

Socorro! Trocaram-me a personalidade!

 
Não sei o que se passa nos últimos tempos. Não sei se foi a maternidade, a responsabilidade, ou se afinal isto é que é crescer.

Vejamos.

Quem me conhece sabe que eu adoro coisas, que sou o oposto do minimalismo. Gosto de ter várias opções na hora de escolher a roupa, gosto de ver estantes cheias de livros, gosto de ter CDs e Discos físicos. Junto a isto o facto de ter grandes dificuldades em desfazer-me das coisas. Reconheço valor no vestido que levei ao casamento de uma pessoa especial mesmo que já não me fique lá muito bem. Guardo bilhetes e recordações mesmo que já mal se veja o que lá está escrito. Gosto de ver estantes cheias de livros e de ter livros em todas as divisões. Tenho uma série de materiais que só guardo porque há boas ideias para eles mas que sei que dificilmente os vou conseguir utilizar. Sou saudosista.

O problema é que, algures no tempo, o excesso de coisas começou a incomodar-me. Não me estou a tornar minimalista nem acho que é esse o meu caminho, mas percebo que não vale a pena guardar roupa que nunca me vai ficar bem, ter mais do que um par de calças velhas ou ter 4 consolas de jogos sem temo livre para eles. Então... decidi que ia experimentar colocar algumas coisas à venda no OLX. E porque estas coisas precisam de motivação, todo o dinheiro lucrado seria utilizado na mudança da sala. Já vendi muita tralha e tenho em espera outro tanto. No fim de semana dei uma volta aos armários, ainda há muito que pode sair mas para já despachamos 3 sacas cheias de roupa e calçado para dar, uma série de coisas que vão parar ao OLX e muitos kgs de lixo já está no ecoponto.

Mas há mais!

Eu, sostra de profissão, que sempre adorou ficar no sofá alapada a comer porcarias (yeah, grande imagem...) comentei há uns tempos que acho que o meu corpo andava a pedir para me mexer. Juntei a isto o convite de uma amiga e fui ao ginásio numa das horas de almoço "mas eu só vou experimentar, não sou de ginásio e este é muito caro". Pois, claro que sim. Saí de lá a sentir-me tão bem, voltei no dia seguinte, e mais um. E inscrevi-me. Eu, sostra de profissão, estou inscrita num ginásio e tem-me sabia pela vida.

E depois há o resto... Tenho comido mais fruta, tenho bebido mais água, optei por deixar a pílula (ou outras opções hormonais), continuo a amamentar, preferi um parto num hospital público, não gosto de excesso de redes sociais, vejo pouca televisão, converti-me aos transportes públicos e gosto mesmo de andar a pé... Não fosse a inscrição no ginásio pipi e diria que encarnei numa Hippie e nem reparei.

Se estivessem a fazer a review do vosso filho na amazon... quantas estrelas lhe dariam?


A propósito desta thread do Reddit que me fez rir uns bons minutos, aceitei o desafio e respondi à pergunta. :D
   

4/5 O produto está de acordo com as expectativas. É carinhoso, fofinho e amoroso, como descrito. Tem alguns problemas no botão de desligar. Quando começa a perder a bateria não é muito simples recarregar na primeira tentativa. As gargalhadas são fantásticas! Após 17 meses a experimentar o produto posso garantir que vou de certeza voltar a encomendar.

Prós:
- Entrega rápida.
- A apresentação produto real supera largamente a expectativa e as fotografias apresentadas.
- Muito veloz.
- Óptimo para animar os dias maus.
- De uma forma geral a manutenção é simples.
- Excelente Qualidade e robustez. Tem até funções de auto-reparação.

Cons:
- A embalagem no momento da entrega
- Picos de crescimento atípicos. Muito lento e mais tarde extremamente acelerado. Tudo dentro do aceitável pelo manual contudo dificulta o transporte.
- Linguagem verbal pouco perceptível.
- Viciante
- Por vezes parece ter a funcionalidade "audição desligada".
- Não está provado que a função "Sono" possa ter um tempo superior a 5 horas.
- Sem Garantia


Domingo é dia do pai and... I'm in love!


Domingo é dia do pai. Dizia o Tó um dia destes que eu também deveria ter uma prenda no dia do pai. Sorri. Que bom que é ouvir isto. Mas... Nada disso! O dia do pai é para festejarmos o pai que ele é. Por muito que eu concorde que ele é melhor pai comigo como o mãe. E que não tenha dúvidas que sou muito melhor mãe graças a ele! Somos uma equipa do caraças, somos sim! ;)

O dia do pai está a chegar. Eu tenho um dia já mais ou menos delineado. Pequeno-almoço com um pai-avô. Almoço com outro pai-avô. E depois... bem digamos que depois vamos aproveitar os dias bonitos do fim de semana (não vá calhar o dia do ano em que o rapaz passa por aqui e lê o blogue!). Estou mesmo feliz com os planos para o dia do pai, fico mesmo feliz por ver os dois homens lá de casa. Acho que essa tem sido a grande descoberta destes últimos tempos. Acho que me voltei a apaixonar, mais uma vez, por este marido-pai que tenho lá em casa.

E por falar em paixões, familias, e coisas boas das rotinas, o texto You May Want to Marry My Husband é arrepiante, simples e muito bom. Uma mulher, a dias de morrer, escreve uma carta a promover o marido.

Este livro não será a prenda do dia do pai deste ano, mas... ficou guardado para um próximo ano. Já que... temos o pai merece tudo e mais alguma coisa. :)

Um texto sobre a Quaresma que vale MESMO a pena ser lido, a sério que sim.

Bom fim de semana! :)

* Sim! Prometo fazer um esforço para não escrever no blogue só à sexta-feira! ;)

Bom Fim de Semana!


Nesta sexta-feira de chuva, cheia de promessas de fim de semana de chuva há muito por fazer. Lá por casa faz para dos planos montar uns móveis para sala, sushi com os amigos e... eliminar tralha (ou tentar!). Estou mesmo farta de tralha (um dia prometo que falo sobre isto).

Se tiverem teve, vale a pena ler este artigo sobre a pilula.

Sim, os bebés são chatos e amorosos, e não são como aborrecidos como nos filmes. Não é muito comum dormirem uma noite seguida antes dos 2/3 anos. E nem sequer há datas muito fixas. Não é o meu, nem o vosso que está "avariado". É normal. Aqui está mais alguém a falar do mesmo.

E por falar em bebés, não vamos fazer deles uns bichos esquisitos... Há alguém que gostaria de comer exclusivamente purés meses a fio? BLW (misturado com a alimentação "tradicional" de sopas e algumas papas) tem resultado muito bem lá por casa.

Granola de "Chocolate", isto parece mesmo mesmo bom.

E esta casa? Juntar brancos e tons fortes, chão de madeira em todo o lado, muita luz, a secretária à beira da janela e.. o mar ali ao lado, ai o mar.

Fans of Love?

Bom fim de semana! :)

Ganhei um livro numa pausa do trabalho*

 
*Texto escrito como comentário ao post da Rita Ferro Alvim que no final valeu-me o livro!

Estou mesmo orgulhosa caramba! (ou, a motivação tem um peso tramado)

Imagem via Pinterest

O que diriam se vos falasse de alguém que decidiu voltar a estudar aos 28 anos, que nunca foi um aluno brilhante, que não tinha background na área e iria estar em pós-laboral? Em paralelo, um emprego diurno cheio de dores de cabeça, uma família, uma casa e um filho?

Tinha tudo para correr mal. Correu melhor que qualquer dos meus sonhos mais optimistas. O Tó começou hoje o projecto curricular desta licenciatura e eu estou muito, muito orgulhosa dele (aliás, de nós!). Depois de um investimento de tempo gigante, de muitas noites mal dormidas, de muitos fins-de-semana de trabalho, de muito tempo sozinha (e sozinha com um recém-nascido!), de muito tudo, está a chegar ao fim esta etapa. Não foi sempre fácil, principalmente depois do Duarte nascer. Foi preciso muito esforço (e apoio à nossa volta) para manter a sanidade. Se tivesse sido fácil não teria, com certeza, metade deste sabor doce.

Parabéns a ti. Parabéns a nós. Parabéns aos nossos.

Estou mesmo orgulhosa, caramba!

Bom Fim de Semana!


Imagem via Pinterest

Sim, ainda é sexta de manhã e eu já estou a pensar no fim de semana mas... sabe tão bem! Depois de uma semana muito boa (os bebés dos nossos amigos estão a aparecer como pipocas!) o fim semana cheio de tempo livre promete.

Se houver tempo livre para ler, estes avisos para "younger-self" (não faço ideia de como traduzir isto!) são muito bons. O que diriam vocês?

O prazo para validação das faturas já acabou mas ainda há dúvidas quanto ao novo modelo de entregas este ano. Algumas indicações úteis aqui.E por falar em dinheiro, sete prespectivas diferentes sobre a forma como os casais o gerem.

Está nos meus planos para Abril (?) restaurar um móvel. Este site está cheio de tutoriais úteis (e em português) quanto a restauro de madeiras. E se houver tempo para limpezas...

Agora que a chuva saiu de vista... é só a mim que já cheira a Primavera? Adoro os casacos e gorros, mas apetece-me voltar à roupa leve (já para não lembrar o facto de ser MUITO mais simples vestir Duarte, o-bicho-carpinteiro-que-adora-andar-nú). Achei muito giras estas ideias: 12 peças, 14 combinações diferentes. E coloridas! Falando em roupa, esta loja com roupas para bebés faz-me suspirar.

Bom fim de semana!  :)

Ideias para as paredes lá de casa

As paredes lá de casa estão vazias e... o meu computador avariado. Por isso, enquanto não há computador (e disponibilidade) para pôr as mãos na massa, vou guardando ideias. O difícil... vai ser escolher!

Yup. Somos mesmo. O mais pequeno ainda é mais maluco por fruta e leitinho do que pelos ricos pais, mas tenho esperança do tempo inverter a tendência. 

Sim, como nós. Com horas sentados à mesa, de preferência cheia de gente e confusão.  

If only I had an unlimited bank account...  

Numa casa de onde se vê o mar é preciso mais referências do que a vista da janela!  
 
  Mais, mais, mais!


Adoro os posters com referências a músicas. Apetece ler a cantar e sair a dançar.

Não quero criar uma máquina


Enquanto estava grávida pensei algumas vezes sobre o que seria suposto fazer para ser uma boa mãe. O Duarte nasceu e eu fui ganhando confiança e certezas. Acho, pelo menos na maior parte das vezes, que sou a melhor mãe do mundo para ele. A Mãe dele.

O meu problema actual é outro. Enquanto ele é pequenino, parece-me fácil mas... será que serei capaz de o ensinar a ser feliz e o tornar numa pessoa boa. Não há carapaças, e se há um mundo lá fora que tem tantas coisas boas e vale mesmo a pena ser explorado é também verdade que esse mundo é tão GRANDE! Como se aprende (e ensina?) a gerir a enorme quantidade de informação e de mundo que nos chega diariamente?

A informação. Será que algum dia saberei ensinar alguém a lidar com toda aquela informação que nos chega? Começamos logo pelas fontes. A grande parte dos jornais está longe de ser a fonte fidedigna e imparcial de informação, estão cada vez mais comerciais. A internet está cheia de pseudo-estudos cheios de pontas soltas e sem conclusões que provam tudo e mais alguma coisa. A propagação da informação nem sempre é a mais correcta, os blogues não deixam de ser pessoais. 

Há teorias para todos os gostos e feitios e, arrisco, muito pouco bom senso. Há muitas pessoas a achar que só há um caminho correcto. A questão das escolas faz-me muita confusão. Estamos a criar uma geração que passa horas infinitas fechada nas escolas, entre actividades criadas porque os pais que não os podem ir buscar mais cedo, aulas de substituição, dezenas de trabalhos de casa. Parece-me um caminho tão infeliz.

Não sei bem como se ensina a gostar da escola, a gostar de estudar, a saber tomar opções e viver num mundo tão confuso. Não sei como se ensina a ser feliz. Sei que os meus pais foram aconselhados a adiar um ano a minha entrada na escola "porque a professora era muito pouco rígida e quase nunca marcava trabalhos de casa". Sabiamente ignoraram o conselho e eu adorei a escola e a professora. Sei que era muito bom sair às 15h30, e ter muito tempo pela frente. Sei que a escola é muito mais que aprender matemática e português e que é fora das quatro paredes que se aprender a Ser Pessoa. Sei que nunca me senti enjaulada, que apesar de todos os pseudo-problemas de uma criança/adolescente, sempre fui feliz. Odeio o conceito de aulas de substituição sem nexo e quilos de trabalho de casa "para aprender mais".
  
Dizia-me um amigo há uns tempos que nós deveríamos ir viver para outro país, porque "na nossa área, lá fora, seriamos ricos". Não, não é isso que eu quero, tenho a certeza. Adorava ter vivido lá fora uns tempos pela experiência. Deixou de ser um plano depois do Duarte nasceu.  A sociedade está a afastar-nos cada vez mais da comunidade em que sempre vivemos. Sei que há muitas pessoas que não têm alternativa, mas eu tenho. Eu tenho o privilégio de poder deixar o meu filho com os avós, de  saber que esteve a ver a avó a tratar das galinhas e que pede uma tangerina sempre que passa pela árvore. Saber que se sujou, que se deitou no chão e que fez aquela vizinhança um bocadinho mais feliz. Sei que quero mesmo encontrar, quando chegar a hora, uma pré-escola onde ele passe o dia a brincar. Adoro pensar que um dia poderei dar-lhes a opção de sair mais cedo da escola porque há um avô por perto para o ir buscar, para brincar muito. Penso no meu horário para poder entrar mais cedo e sair enquanto há luz para poder estar com ele. 

Não sei bem qual é o caminho, como se ensina tudo isto. Como explicar que até podemos não concordar com as regras mas temos que as seguir, podemos é lutar para muda-las. Que há muitos caminhos certos e outros tantos errados e é preciso escolher, saber ver as boas pessoas, ler as entre-linhas. Não sei bem qual é o caminho, mas penso várias vezes nisto.