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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Quase pronto

"Saltas para fora do avião quando eu contar até 5. Pronto?" diz-te o instrutor de paraquedismo, enquanto tu aguardas nervosamente pelo primeiro salto, inclinado num pequeno avião Cessna a cerca de 10 000 pés de altitude. Tu vibras com a adrenalina. E simultaneamente tremes de medo.
"Ok", dizes tu pouco convictamente. "Estou pronto."
O instrutor abre a porta do avião. O ar dispara pela porta aberta e o avião agita-se ligeiramente no ar. O medo torna-se pânico, como se cada célula do teu corpo - tudo o que a Evolução te ensinou - dissesse para não saltares por uma porta aberta de um avião.
"1,2,3..."
Quando o instrutor conta o 4 dispara a arma da partida. Tu pensas que tens mais um precioso segundo para mudar de ideias. Mas ele já te empurrou para fora do avião. E tu vais. Assim, não houve tempo para mudares de ideias no último instante.
Apesar de eu nunca ter feito paraquedismo, disseram-me que esta era uma técnica frequentemente utilizada com pessoas que experimentam pela primeira vez e, por vezes, têm ataques de pânico no último minuto.
Isto lembrou-me de uma conversa com um amigo que aconteceu num bonito dia de Verão há alguns anos em Berlim.
Eu perguntei-lhe se ele se sentia preparado para ter filhos quando o filho dele nasceu. Ele respondeu "Não estava preparado para ter filhos. Mas nós estávamos quase preparados para ter filhos. Quase preparados. Tu nunca te vais sentir completamente preparado."
Isto é verdade para tantas coisas, não é?
Não comeces uma empresa quando te sentires preparado para isso, porque tu nunca te sentirás preparado. Começa a tua própria empresa quando te sentires quase preparado.
Não cases com o teu namorado ou namorada quando te sentires preparado para isso, porque tu nunca terás absoluta certeza que tudo será feito. Casa-te quando te sentires preparado - quando tiveres quase certeza que é A pessoa certa.
Não aceites o trabalho para o qual te sentes totalmente preparado. Desafia-te. Estimula-te. Aceita o trabalho para o qual estás quase preparado.
"Quase preparado" é semelhante à "Regra do 80%" para persuasão. Ronald Reagan defendeu que não é preciso que alguém concorde 100% contigo para estar "contigo" - só precisas que a pessoa esteja do teu lado em 80% das questões. Isto é geralmente suficiente para conseguir o seu apoio.
A Regra do 80% aplicada a nós mesmos significaria que nós não precisamos de estar 100% certos de uma decisão para que esta seja a decisão certa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Não existe magia

Não existe magia

Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.

Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
 















terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Sobre o Trump, o Obama, a política e educação

Sobre o Trump, o Obama, a política e educação
Não gosto de falar sobre política. É triste, porque reconheço o papel fundamental e concordo que é um dever nosso intervir e escolher. O problema é que me causa arrepios. Não sei em que momento deixei de acreditar nos políticos nacionais e internacionais. Por cá, sempre que é hora de votar, limito-me a ler, pesquisar, e escolher aquele que sinto que será "o mal menor"ou "a melhor pessoa" no meio de uma máquina política duvidosa.

Contudo, apesar dos tempos duvidosos que vivemos actualmente, vão aparecendo pequenas gotinhas que me fazem acreditar que sim, somos nós, as pessoas que ainda podemos fazer alguma diferença. É preciso ter consciência, falar e mostrar o que há de bom e mau (sim, estou a contradizer-me...). E já que eu não gosto de falar nelas, mostro pelo menos as minhas preferidas dos últimos dias.

21 Frases sobre parentalidade, por Michelle e Barack Obama. É impossível não gostar desta família.

Todas as aberrações em torno da campanha, eleição e mandato de Donald Trump provocam-me nós no estômago. É inevitável não pensar (ou temer) o que poderá estar para vir. Chega de achar que vai ser mais simples do que parece, é preciso estarmos vigilantes, diz a Gata Christie e diz muito bem.

Sobre o populismo de Marcelo que pode até ser bom
Uma visão interessante sobre as perspectivas da realidade e as razões que levaram boas pessoas a votar em Donald Trump

terça-feira, 10 de abril de 2012

O que vale, é que ainda conheço alguns bons no clube

Sou católica. É o meu clube. Acredito, sim, na ressurreição dos mortos, da divindade de Cristo, na compaixão e no amor ao próximo. Acredito e tenho fé. Mas cada dia gosto menos do meu clube. Declarações como as do Bispo de Alcalá Henares na missa do de Sexta-Feira Santa transmitidas pela televisão pública espanhola dão-me nojo. Que um alto responsável da minha igreja diga que os gays estão no inferno e corrompem ou que as mulheres que abortam já vivem para sempre em pecado envergonham-me e dão-me muita vontade de sair definitivamente de um clube que não me representa, que não entende a compaixão como mensagem principal de Cristo, que se nega a sair do buraco de escuridão em que se fechou há séculos  atrás por medo de uma sociedade cada dia mais tolerante, aberta e sem complexos. Duvido que Cristo gostasse desta arrogância, desta mesquindade, desta necessidade doentia de se meter na vida dos outros. E não, a Igreja não é a Curia, nem as interpretações enquistadas do mundo: a Igreja somos todos, os crentes, os bispos, as mães, as mulheres que abortam, os divorciados, os gays, as mães solteiras, os que pecam. Porque aqui pecamos todos. E se não aceitaria nunca que um imã filho da puta viesse para a televisão defender o véu porque a mulher é inferior ao cabrão do marido, então não posso sequer entender porque razão um bispo ou quem quer que seja diga na televisão pública que a homossexualidade e o aborto, que são legais, que não crimes, são recrimináveis, pecado ou o caralho, só porque a seita que o tem como representante se nega a aceitar que há mais mundo além das paredes das suas igrejas. Assim não. Assim saio do clube.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

The Key of Life

The Key of Life








 “When I was 5 years old, my mother always told me that happiness was the key to life. When I went to school, they asked me what I wanted to be when I grew up. I wrote down ‘happy’. They told me I didn’t understand the assignment, and I told them they didn’t understand life.”
John Lennon 








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