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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Espirito do Natal e o que quero fazer lá por casa.

O Natal para mim foi e é mágico. Tão mágico que não consigo explicar. O Natal é fazer a árvore de Natal, é a preparação das festas, é a casa cheia de gente, a aletria quente, a casa dos meus pais cheia de decorações horrorosamente amorosas, as músicas, as ruas, o cheiro, o ambiente e sim, também são os presentes.

Lembro-me de um Natal em que recebi o Nenuco que tanto pedi. Devia ter uns quatro anos e é uma das minhas memórias mais antigas. É o único Nenuco que tive, foi um presente pedido e sonhado meses a fio. Na altura, sem internet ou excesso de informação, chegou a casa dos meus avós um pai Natal vestido de pijama cor-de-rosa, óculos de sol e uma barba de algodão. Perguntaram-me se o conhecia! Claro que conhecia... Era o Pai Natal!  Deixou presentes para toda a família e uma caixa grande para mim. Lembro-me de andar a entregar apressadamente as caixas a toda a família, até que chegou a minha vez e as fotografias guardam muito bem a minha felicidade. Sei ainda hoje as cores, as roupas e tudo o que veio com aquele boneco. 

Um ou dois anos depois pedi uma bicicleta no Natal. Nessa altura lá em casa só havia uma televisão pequenina a preto e branco, com sintonia manual. Os meus pais queriam comprar uma televisão nova "com comando e a cores", e eu também queria uma televisão. O meu pai disse-me "só podemos comprar uma das coisas, a bicicleta ou a televisão, tens que escolher"!. Recordo-me de perceber que a minha mãe não concordava muito com a imposição do dilema e lembro-me perfeitamente de estar fora daquele contexto a pensar no assunto, afinal... eu queria muito uma bicicleta com rodinhas e queria muito ver bonecos coloridos! No fim... optei pela televisão porque "assim era uma prenda para todos". Devo ter dado a resposta certa, porque nesse Natal, houve televisão nova lá em casa e bicicleta com rodinhas e um cestinho. Não me lembro como foi quando percebi que iria receber a bicicleta...

Depois... chegou a descoberta de que o pai Natal não existe. "Pai, o Sr. José disse que o pai Natal não existe, mas é mentira não é?"... "É verdade. O Pai Natal não existe! É o padrinho que se veste de Pai Natal!". Lembro-me que fiquei triste. Não sei se por ser cedo de mais, se por querer mesmo continuar a acreditar. Mas nunca foi uma tristeza do estilo "sinto-me enganada!" foi só um botãozinho qualquer do "oh, afinal não existe esta figura tão gira!". Desde aí, sempre tentei promover o segredo do Pai Natal e mantê-lo vivo dentro do possível.

Problema... com a evolução do tempo o Pai Natal inevitavelmente acabou por se tornar num monte de presentes. Parece-me ter deixado de ser o senhor querido e mágico para ser o tipo meio assustador, com um fato duvidoso, em quem tropeçamos a cada esquina (literalmente). Mais do que isso, vivemos num absurdo excesso de coisas que nos tira a expectativa e a preciosidade de cada. Adeus Magia... Claramente não é o Natal que tenho tido (e que sobre o qual nunca tinha pensado muito...) que eu quero para o Duarte e nos últimos tempos parei para pensar nesta nossa definição do Natal. Juntei uma série de coisas boas (tradições!?)  que quero ter e manter/criar lá por casa.

Decoração - O Natal começa com a Preparação da Casa. Fazer a árvore e preparar tudo em família. Bónus se houver músicas de Natal e chapéus de rena.

O Advento - Preparar um calendário do advento com tarefas (Fazer biscoitos, ver filmes de Natal, ligar a alguém, ver as decorações de Natal da rua, carta ao Pai Natal, bolachas de gengibre, ir a uma missa...). Este ano ainda não faz sentido a rigidez do calendário, mas para o ano quero adicionar. Gostava de fazer como a Maria e incluir na abertura da tarefa do dia um momento de família: pensar no melhor desse dia, falar dele e só depois abrir a surpresa do advento.

Pai Natal - O senhor de vermelho não é a figura central do Natal nem pode ser. O Natal é a celebração do nascimento de Jesus e, sobretudo, a festa da família. Por isso o Pai Natal vai oferecer UM presente. O presente que vai aparecer na árvore na manhã de 25. Se o Pai Natal aparecer noutras situações vai só estar lá para nos ajudar a distribuir... o senhor parece ter tempo livre e vários sósias. Deixaremos leite e bolinhos para beber quando lá for a casa. :)

Presentes - Eu gosto MUITO de dar e receber presentes. Por isso isto vai continuar. Roupa, Livros, Brinquedos. Sim, na medida em que são bons e precisos. Vou tentar oferecer também experiências, coisas especiais e envolver todos nesses momentos. Não vou embrulhar o que compro para mim. Não faz sentido e só acrescenta caos. Quero envolver todos na escolha do presente certo. O Duarte poderá abrir os presentes que as pessoas lhe dão quando as receber porque, expecto a prenda do Pai Natal, todos serão oferecidos pelas pessoas.

Postais - Enviar postais de Natal. Infelizmente (e com a greve dos correios nos próximos dias). Este Natal não enviarei a maior parte deles por CTT mas quero recuperar isto no próximo ano. E já agora arranjar um local onde comprar postais giros que não custem um balúrdio.

Ajudar - Pela primeira na vida organizei uma campanha solidária.  E se é verdade que não é só no Natal que as instituições precisam de ajuda, não tenho a menor dúvida que é no Natal que aquelas crianças precisam "de mais qualquer coisa". Conseguimos oferecer presentes a 11 meninos, uma mala cheia de alimentos e uma pequena quantia em dinheiro. E tenho a certeza absoluta que fizemos a diferença para aqueles miúdos este Natal.

Histórias - Ler histórias de Natal. Ver e rever filmes de Natal. Criar toda a expectativa do dia. Adaptados à idade. No passado fim de semana vimos episódios do Pocoyo de Natal e decoramos envelopes com carimbos. :)

Mesa Cheia - Estão cá os nossos emigrantes, e se há coisa que eu gosto é de estar numa mesa cheia de gente! :) Com bacalhau, rabanadas douradas ou pão com manteiga :) há tempo para pequenos-almoços, almoços e jantares de Natal, que o que importa é estarmos com todos.

O dia 26 - O dia 24 e o 25 são a loucura. Entre preparativos, visitas de última hora e "estar" com todas as pessoas, estes dias são uma correria boa. Quero começar a tirar o dia 26 de férias, para ficar por casa, descansar do caos e aproveitar os brinquedos. 

E o mais importante... aproveitar cada bocadinho de uma das alturas mais bonitas do ano. 

Feliz Natal! 




 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Cheguei.

Cheguei das férias. Um Outubro cheio, um coração já repleto de saudades dos momentos bons, e uma cabeça finalmente pronta para trabalhar em cheio. Chego, quase em Novembro, com um sem fim de ideias a nascer, com uma vontade enorme de arregaçar as mangas, com energia de recomeço.
Outubro foi o mês do aniversário do Duarte, o mês da primeira viagem de avião dele, o tempo para ouvir o silêncio e a calma no Alentejo. Outubro foi o mês da entrega do projeto de estagio do Tó, o mês do tempo para nós, o mês de que tanto precisávamos.
Há vários coisa sobre as quais me apetece escrever. Viajar com crianças, uma carta para o Duarte de dois anos. A minha vontade de voltar a estudar. e podia continuar. Venham o tempo, que as ideias e força já cá estão.  

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Preciso de férias.

Há mais de um ano que não tenho uma semana de férias. Achei que não precisava, que não fazia mal, que podia perfeitamente aguentar-me com uns dias aqui e acolá e que podia esperar calmamente pela entregue da tese do Tó para depois calmamente tirar férias.

Sim, enganei-me.

Há quase dois anos que não durmo uma noite seguida. A altura é péssima para férias no trabalho agora que, todos frescos das férias, estão cheeeeiiionhos de ideias e coisas para fazer. E... se calhar isto é que significa chegar à casa dos 30. Na verdade estou a dar o tilt.

A minha cabeça está pelas ruas da amargura. Eu, que me lembro sempre de tudo, esqueço-me de coisas que fiz de manhã. O meu querido raciocínio rápido, parece uma tartaruga doente. Por vezes preciso que voltem a repetir coisas porque nem sinto consigo processar o que me dizem. E o multitasking já está em coma há meses. Faço muito mais asneiras por distração do que as que me estão inscritas no ADN. Ou então faço todas as que lá estão porque não as consigo contrariar. E têm sido bastantes. Estou mais irritada, mais ofendida. Irrito-me porque quando cheguei a um espaço público onde já estavam 5 pessoas e disse "Bom dia!", ninguém respondeu. Irrito-me porque há gente alucinada que imagina os transportes públicos portugueses como aquilo que viu num filme indiano e decidir expor ideias estúpidas. Irrito-me porque as autárquicas parecem um circo e nem sei em quem votar no Domingo. Irrita-me ouvir pessoas a dizer "eu não vou votar, também ninguém vota em mim" (a sério?). Irrito-me porque demoro 3h a fazer o que normalmente faria em 1h e os dias não podem ser desaproveitados assim. Irrito-me porque não tenho vontade de ir ao ginásio. Irrito-me porque o meu corpo me pede para ir ao ginásio e eu não ouço. Irrito-me porque só quero comer porcarias. Irrito-me por estar irritada e porque eu não sou assim.
Esta post não serve absoultamente para nada a não ser para me lembrar a mim mesma que... preciso de parar e que nunca mais poderei ter esta brilhante ideia de achar que não preciso de férias. Preciso. De-ses-pe-ra-da-men-te. Preciso de uma semana sem pensar em nada. Preciso mesmo. E espero que ela esteja a chegar.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ainda da sustentabilidade

Penso muitas vezes no legado que estamos a deixar aos nossos filhos. Não sei se por causa do Duarte ter nascido ou uma consequência natural do que acontece. Assusta-me a enormidade de espécies extintas ou criticamente em perigo, o número crescente de problemas de saúde associados ao nosso estilo de vida, o clima estranho que estamos a ajudar a provocar.

A verdade é que, passando da teoria à prática, nem sempre consigo integrar rotinas sustentáveis no caos do dia-a-dia. Aparentemente, dado o meu estilo de vida, a partir do dia 26 de Abril já estou a usar créditos de planeta. Se toda a gente vivesse como eu/nós... seriam necessários 3 planetas!
Estive a pensar no que estamos a fazer bem e onde há espaço para melhorar.
Lá por casa as compras estão a tornar-se mais conscientes. Dentro do razoável, temos tentado comprar com qualidade, o que é substituído, se estiver em condições é sempre reaproveitado (guardado, dado, vendido, emprestado, arranjado...). A casa tem um bom isolamento e tenho reparado que quase metade da nossa energia vem de fontes renováveis (está descrito na fatura, zero mérito nosso). Tenho tentado estar atenta à origem dos produtos e temos comprado menos. Tenho feito iogurtes em casa, evitado comprar pacotes de bolachas que vêm com mini pacotinhos e até feito pão em casa. Voltamos aos transportes públicos do dia-a-dia e sempre que possível andamos a pé.
Há obviamente coisas que não faz sentido mudar. Não posso deixar de usar o carro alguns km por dia, não quero deixar de comprar livros ou deixar de tornar a minha casa mais bonita (mesmo que isso implique mais coisas). Não vou deixar de comprar t-shirts baratas de origem duvidosa para o meu filho que suja roupa a velocidades super-sónicas. Há muito mais para fazer... Assim de repente, lembro-me de 4!
  • Temos sido incrivelmente preguiçosos com a reciclagem. Fazemos alguma reciclagem, mas os recipientes para reciclar estão pouco "à mão". Não faz sentido, é preciso arranjar uma forma de simplificar o processo.
  • Tenho a sorte de ter uma mãe (e não só) que tem fruta, legumes, carne, ovos de produção própria. Muitas vezes, por pura desorganização compro produtos frescos embalados em vez de usar os da casa. 
  • Lá em casa além de um frigorífico combinado temos uma arca-congeladora. O problema é que a arca está nos arrumos e fruto de muitos meses de horários alucinados, é frequente não nos lembrarmos de usar as coisas que lá temos (ao ponto de estragar comida). Temos que arranjar forma de ter o conteúdo congelado mais "à mão". 
  • Com as eleições à porta seria interessante espreitar se a sustentabilidade nas cidades faz parte de algum dos planos eleitorais. Se bem que nem tenha muito bem a noção do que há a melhorar a um custo "praticável" para as minhas bandas gostava de perceber...
É só uma agulha pequenina. Mas é preciso começar. :) 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Da conversa do créditos ou... é só fazer as contas.

Estou a ser atendida nos correios. Enquanto espero por ser atendida, pego num panfleto sobre Certificados do Tesouro. A funcionária (eficiente e delicadamente) pergunta se quero mais informação sobre os certificados e se quero fazer uma simulação com as atuais taxas de juro. Enquanto mexo na carteira à procura do cartão do cidadão, deixo em cima do balcão o meu cartão de débito da conta CTT. A funcionário do lado decide intervir:

Funcionária Que Não Tinha Nada A Ver Com O Assunto: Ah! É cliente do nosso banco!
Eu: Sim, sou.
FQNTNAVCOA: Ah! Então tenho aqui a oportunidade perfeita para si! Devia aproveitar esta nossa promoção para comprar um telemóvel. 
<Enquanto isto, passa-me um panfleto com um telemóvel em promoção>
Eu: Obrigada, já tenho telemóvel
FQNTNAVCOA: Ah! Mas pode ser para um familiar!
<A sério que a senhora disse isto? Olho para o raio do papel. O telemóvel tinha um preço teórico de 350€ e um novo preço assinalado de 300€. O panfleto destacava mensalidades de 30€. >
Eu: Obrigada, não compro telemóveis a crédito
FQNTNAVCOA: Ah! Mas não paga juros nenhuns!
Eu: A sério que não? E comissões de entrada?
FQNTNAVCOA: São só 12€ extra no primeiro mês!
<Neste momento passou-me tanta coisa pela cabeça... Vários implicavam um sermão à senhora que não tem culpa, eu sei. Nenhum deles... iria mudar nada daquela palhaçada>
Eu: Não compro telemóveis a crédito. Não estou interessada.
FQNTNAVCOA: Pronto, desculpe interromper, mas como vi que era nossa cliente podia querer aproveitar a oportunidade...
Saí dali a pensar no assunto. Surpreende-me que esta conversa ainda funcione com alguém. Não consigo conceber sequer a ideia de comprar a crédito alguma coisa que não seja uma casa ou um carro. Quanto mais um telemóvel. Pior. Uma coisa pela qual provavelmente a pessoa não precisava e custava "só" 300€. E pela qual não pesquisou, não comparou preços, não viu o mercado. A sério que isto funciona? 
 
Que ninguém se esqueça: os bancos não dão nada a ninguém. Os 12€ de abertura de conta significam juros de 4% pagos a 10meses. Desafio quem no momento me conseguir uma conta poupança com esta taxa de retorno.

Mais... se fizermos um bocadinho melhor as contas...

Nenhum banco nos dá os juros no primeiro mês (as comissões de abertura acontecem sempre à entrada). Teremos que ter o nosso dinheiro parado durante algum tempo para vermos esse retorno. Supondo que o juro é pago anualmente, e que ao final de um ano queríamos ir buscar 12€ ao depositar 300€. O imposto sobre os juros, logo à partida é de 28%. Ou seja... para ganharmos 12€ ao final de um ano, teríamos que ter juro que pagassem ao final de um ano 16.67€, o que significa uma taxa de juro de cerca de 5.56%. 

Atualmente os Certificados do Tesouro dos CTT pagam 1.25% ao final do primeiro ano.  Contas feitas... teríamos que depositar 1333.6€ para, ao final do ano, o banco nos pagasse 12€ líquidos por lhe termos emprestado esse dinheiro.

Há mesmo quem ache que existem compras "sem juros"? 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Escrever para não esquecer


Quando nos deitávamos, de janelas abertas para refrescar, ouvíamos os grilos a cantar. De manhã acordava sempre a ouvir os galos a dar os bons dias. O Duarte adormeceu sempre bem, dormiu sempre bem, acordou sempre com um sorriso. "Apesar" de todos os barulhos.

Nos primeiros dias fizemos sestas a três. Nem sabíamos a falta que nos fazia dormir sem horas e relógios. Ao terceiro dia, o descanso já era tanto que acordei com vontade de ir correr enquanto o resto da casa ainda acordava. Fui. Consegui correr 5Km em estrada, pela primeira vez. E ainda lhes juntei uns 3 na caminhada no regresso. 

Acabei de ler 4 livros. Não romances, livros práticos. É verdade que são fáceis e rápidos de ler, mas não deixam de requerer tempo. 

Apanhamos amoras, peras e figos. O Duarte encontrou um sapo, um gafanhoto, e um escaravelho. Delirou com os tratores. Viu alguns desenhos, mas passou a maior parte do tempo longe deles. 

Ia mentalizada para durante quatro dias baixar a guarda e ceder quanto às regras da alimentação. Afinal os avós não conseguem ver o rapaz chorar e ele já sabe aproveitar esse luxo. Não foi preciso muito. Dando-lhe espaço para explorar não há nada que o deixe triste (só deixa os adultos estafados!). Andou muitas vezes molhado, meio nu, quase sempre sujo. Tomou banhos infinitos para logo a seguir se voltar a sujar. Esteve sempre tão feliz. Cedi algumas vezes quanto aos doces. Deixei que lhe oferecessem croissant, bolo e gelado. Numa das vezes abriu o croissant e retirou o queijo. Noutra negou bolo e gelado a favor da melancia. Gostou muito do gelado que era à base de iogurte e fruta (mesmo que carregadinho de outras porcarias extra). Acredito que estamos a fazer um bom trabalho. 

Se o chatearmos muito ele vai soltando palavras. Ouvimos um "não", um "sim", e estou capaz de jurar que ouvi um "Mickey" também. 

Voltamos. Ainda não tinha saudades de casa (e eu que adoro a nossa casa). Preguiça, Praia, Parque. Nunca deixo de me deliciar com o privilégio de ter a praia já ali. E com a sorte de no caminho sempre encontrar um amigo. Fiz doce de pera, gelado e tomate seco. 

Hoje volto ao trabalho. Foram 5 dias incrivelmente bons. Regresso bem dormida, com muitas de ideias e de coração cheio.  

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Estão esgotados os recursos naturais do planeta para 2017

Dizem as estatisticas que hoje, 2 de agosto, estão esgotados os recursos naturais do planeta para 2017 (isto é, o limite do uso sustentável). Há quase 50 anos que gastamos mais planeta do que devemos e este dia "limite" tem chagado cada vez mais cedo. Se dependesse apenas de Portugal, este dia chegaria ainda mais cedo.

A proposta da Zero aposta numa economia circular, com aposta na reutilização e redução (ter menos mas de melhor qualidade), na redução do consumo de proteína animal e na promoção da mobilidade sustentável. Fiquei a pensar no que posso estar afazer mal e bem.

Lá por casa já usamos transportes públicos na grande maior parte do ano, andamos maioritariamente a pé ao fim de semana e fazemos alguma reciclagem. No entanto... isto é menos que uma migalha para o longo caminho que há a percorrer! Faltam 5 meses para o final do ano, quero introduzir 5 pequenas outras migalhas, uma por mês:
  • Agosto: sou um desastre com os banhos... Água muito quente, muito tempo no chuveiro. É um valente desperdício... O objetivo é encurtar os banhos e aproveitar o calor para me habituar a água menos quente. Além das vantagens para o ambiente, a minha pele e cabelo ainda agradecem.
  • Setembro: Vender, dar, deitar fora, arrumar, organizar. Este é um trabalho em progresso. Preciso de me livrar de tralha. Todas semanas arrumamos um bocadinho. Já há muitas coisas com destino definido, outras tanto vão a caminho.
  • Outubro: Trocar todas as lâmpadas por lampadas led. A maior parte deste trabalho está, na verdade, feito.
  • Novembro: Garantir uma refeição vegatariana por semana. Excluir a proteína animal uma refeição por semana é simples (e uma coisa que na verdade já fazemos algumas vezes).
  • Dezembro: Comprar e cozinhar com consciência. O mês do Natal é sempre um mês cheio de desperdicio (e eu adoro o Natal). Tenho que me esforçar para que todas as compras sejam feitas com mais consciencia. Qualidade sobre quantidade. Oferecer menos "coisas" e mais experiências.
Estes são, claramente, passinhos de pardal. Mas são realistas e um pequeno investimento para manutenção da nossa qualidade de vida e do planeta que deixamos de herança. Alguém se junta?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Inquietudes

Às vezes só queria que o tempo passa-se mais devagar, que o dia tivesse mais horas, ou.. sei lá! 

Tenho conseguido organizar-me razoavelmente bem. Parece-me. Mas não deixo de sentir que ando sempre numa corrida contra o tempo. Levanto-me sempre atrasada, saio sempre mais tarde para o ginásio do que gostaria, o trabalho rende menos do que prevejo (ou estarei a fazer mal as estimativas de tempo?), vou embora mais tarde do que o suposto, estou menos tempo com o Duarte do que quero, consigo fazer menos em casa do que pensei durante o dia, adormeço sempre incrivelmente cansada.

Estou a precisar de parar e organizar. Não sei se são as espectativas que estão erradas, se as ideias que são excessivas, ou outra coisa qualquer.

As férias grandes parecem um objetivo demasiado distante.

O Duarte... o Duarte, o Duarte! Está cada dia mais engraçado mas, raio do rapaz, não fala. E, por muito que possa ser normal, que cada criança tenha o seu ritmo, que eu até tenha prometido a mim mesma dar-lhe sempre o tempo dele depois dos stresses desnecessários com a evolução inicial de peso, é impossível não ficar, um bocadinho que seja, preocupada. Ele expressa-se lindamente, há vários motivos que possam atrasar a fala mas... Nasceu com ele esta minha capacidade de estar preocupada com ele. Inevitável.

Comprei um montes de livros "práticos" que quero ler, tenho tantas ideias para por em prática, o dia voa, o fim de semana corre. Nada Hygge esta minha forma de estar! :)

E um botão para Reset, há?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Esta coisa da Internet

Disseram-me "tenho saudades de ler novidades tuas", respondi "tenho saudades de escrever". 

Tenho mesmo. Ainda não percebi muito bem a minha posição nesta coisa dos blogues ou da Internet, mas a verdade é que gosto de escrever e gosto de estar por aqui. A "rede" trouxe-me pessoas muito importantes para mim. Trouxe vários amigos, daqueles que até me fizeram comprar um sofá-cama para ter à disposição. Daqueles que, apesar de estarem geograficamente muito perto eu provavelmente não conheceria sem o blogue (olá Martinha, vamos beber uma limonada?) e até um a quem eu decidi dizer sim no altar. Gosto de ver novidades das minhas pessoas e acho que, bem utilizada, é a melhor invenção depois da roda. 

Mas às vezes... às vezes sinto-me cansada da Internet. Das casas imaculadas, das ideias sempre felizes, da cultura do perfeito, do efeito rebanho. Hoje está na moda do minimalismo. Ontem estava o vintage. Amanhã sobre o que será que todos querem falar? Não que não concorde com algumas ideias, concordo. Não que ache que seja suposto estarmos sempre a falar de coisas más, não acho. Nem sequer há vontade para escrever nos dias maus. Mas o que me cansa, é a repetição, o "mais do mesmo", os conceitos para vender. Voltando a isto, tenho mesmo que rever os conteúdos que sigo.

Ai que estou farta da chuva. Ai que não se pode com o calor. Olá Junho! Olá Novembro! Be Sweet! #hashtag #somostodos #englishisthenewblack 

Se calhar sou eu, uma velha do Restelo, facilmente irritável. Ou cansada. Há dias em que admito que não gosto muito de pessoas. 

Onde é que eu ia? No blogue, escrever. As ideias. Este blogue já teve vários propósitos, mas não deixa de ser uma caixa de ideias minha. Tenho que o voltar a encaixar nas minhas rotinas, porque em ajuda a estruturar as ideias e porque, surpreendentemente, até parece que há quem goste de ler às vezes. Vamos lá ver...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Escrever para não esquecer

Escrever para não esquecer

No Sábado tivemos um casamento. A viagem até à bonita igreja durava mais de uma hora e, com a excepção dos noivos, conheciamos oito convidados. Decidimos não levar o Duarte. Do alto dos seus 19 decididos meses que querem muita liberdade e pouco protocolo, achamos que ficava melhor entregue aos avós. Pediram-nos que ficasse lá a dormir com a promessa de que se ele não estivesse bem nos ligavam. Fomos até ao Gerês e podemos ser adultos sem filhos. Claro que falamos nele, claro que pensamos nele, mas foi muito, muito, muito bom conversar sem correr, sem intercalar com o pai, sem avaliar perigos. Ele ficou bem, com toda a atenção do mundo, com toda a liberdade. No Domingo percebemos que depois de se ter molhado andou nu no pátio, tão feliz. Os avós, pareciam crianças no dia de Natal. 

Eu tive mais uma série de certezas absultas deitadas por terra. Antigamente achava que os casamentos eram festas de família, para irmos todos. Não acho que sejam sempre. Achava que iria ser sempre fácil deixar o Duarte em casa dos avós quando precisasse, até porque eu adorava ficar em casa dos meus avós. Não é. Não sendo esta sequer a primeira vez, é difícil. É bom, mas é difícil. Mas se é verdade que eu acredito que é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança, tenho que saber dar a criança à aldeia.

Chegamos tarde, podemos dormir até ao meio dia. Não faço ideia de quando foi a última vez que isto tinha acontecido. No final do dia, fomos os três até à praia. Pela primeira vez, o Duarte caminhou na areia. Estava um dia incrivel, sem vento e sem gente. Houve até tempo para passar no parque, foi mesmo bom.

Preciso de escrever para não me esquecer. O bom que é ter tanta gente em quem confiar o Duarte. A felicidade deles. A sensação nova de caminhar na areia. A "aldeia".

 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Socorro! Trocaram-me a personalidade!

 Socorro! Trocaram-me a personalidade!
 
Não sei o que se passa nos últimos tempos. Não sei se foi a maternidade, a responsabilidade, ou se afinal isto é que é crescer.

Vejamos.

Quem me conhece sabe que eu adoro coisas, que sou o oposto do minimalismo. Gosto de ter várias opções na hora de escolher a roupa, gosto de ver estantes cheias de livros, gosto de ter CDs e Discos físicos. Junto a isto o facto de ter grandes dificuldades em desfazer-me das coisas. Reconheço valor no vestido que levei ao casamento de uma pessoa especial mesmo que já não me fique lá muito bem. Guardo bilhetes e recordações mesmo que já mal se veja o que lá está escrito. Gosto de ver estantes cheias de livros e de ter livros em todas as divisões. Tenho uma série de materiais que só guardo porque há boas ideias para eles mas que sei que dificilmente os vou conseguir utilizar. Sou saudosista.

O problema é que, algures no tempo, o excesso de coisas começou a incomodar-me. Não me estou a tornar minimalista nem acho que é esse o meu caminho, mas percebo que não vale a pena guardar roupa que nunca me vai ficar bem, ter mais do que um par de calças velhas ou ter 4 consolas de jogos sem temo livre para eles. Então... decidi que ia experimentar colocar algumas coisas à venda no OLX. E porque estas coisas precisam de motivação, todo o dinheiro lucrado seria utilizado na mudança da sala. Já vendi muita tralha e tenho em espera outro tanto. No fim de semana dei uma volta aos armários, ainda há muito que pode sair mas para já despachamos 3 sacas cheias de roupa e calçado para dar, uma série de coisas que vão parar ao OLX e muitos kgs de lixo já está no ecoponto.

Mas há mais!

Eu, sostra de profissão, que sempre adorou ficar no sofá alapada a comer porcarias (yeah, grande imagem...) comentei há uns tempos que acho que o meu corpo andava a pedir para me mexer. Juntei a isto o convite de uma amiga e fui ao ginásio numa das horas de almoço "mas eu só vou experimentar, não sou de ginásio e este é muito caro". Pois, claro que sim. Saí de lá a sentir-me tão bem, voltei no dia seguinte, e mais um. E inscrevi-me. Eu, sostra de profissão, estou inscrita num ginásio e tem-me sabia pela vida.

E depois há o resto... Tenho comido mais fruta, tenho bebido mais água, optei por deixar a pílula (ou outras opções hormonais), continuo a amamentar, preferi um parto num hospital público, não gosto de excesso de redes sociais, vejo pouca televisão, converti-me aos transportes públicos e gosto mesmo de andar a pé... Não fosse a inscrição no ginásio pipi e diria que encarnei numa Hippie e nem reparei.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estou mesmo orgulhosa caramba! (ou, a motivação tem um peso tramado)

  Estou mesmo orgulhosa caramba! (ou, a motivação tem um peso tramado)
Imagem via Pinterest

O que diriam se vos falasse de alguém que decidiu voltar a estudar aos 28 anos, que nunca foi um aluno brilhante, que não tinha background na área e iria estar em pós-laboral? Em paralelo, um emprego diurno cheio de dores de cabeça, uma família, uma casa e um filho?

Tinha tudo para correr mal. Correu melhor que qualquer dos meus sonhos mais optimistas. O Tó começou hoje o projecto curricular desta licenciatura e eu estou muito, muito orgulhosa dele (aliás, de nós!). Depois de um investimento de tempo gigante, de muitas noites mal dormidas, de muitos fins-de-semana de trabalho, de muito tempo sozinha (e sozinha com um recém-nascido!), de muito tudo, está a chegar ao fim esta etapa. Não foi sempre fácil, principalmente depois do Duarte nascer. Foi preciso muito esforço (e apoio à nossa volta) para manter a sanidade. Se tivesse sido fácil não teria, com certeza, metade deste sabor doce.

Parabéns a ti. Parabéns a nós. Parabéns aos nossos.

Estou mesmo orgulhosa, caramba!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Não quero criar uma máquina

Não quero criar uma máquina

Enquanto estava grávida pensei algumas vezes sobre o que seria suposto fazer para ser uma boa mãe. O Duarte nasceu e eu fui ganhando confiança e certezas. Acho, pelo menos na maior parte das vezes, que sou a melhor mãe do mundo para ele. A Mãe dele.

O meu problema actual é outro. Enquanto ele é pequenino, parece-me fácil mas... será que serei capaz de o ensinar a ser feliz e o tornar numa pessoa boa. Não há carapaças, e se há um mundo lá fora que tem tantas coisas boas e vale mesmo a pena ser explorado é também verdade que esse mundo é tão GRANDE! Como se aprende (e ensina?) a gerir a enorme quantidade de informação e de mundo que nos chega diariamente?

A informação. Será que algum dia saberei ensinar alguém a lidar com toda aquela informação que nos chega? Começamos logo pelas fontes. A grande parte dos jornais está longe de ser a fonte fidedigna e imparcial de informação, estão cada vez mais comerciais. A internet está cheia de pseudo-estudos cheios de pontas soltas e sem conclusões que provam tudo e mais alguma coisa. A propagação da informação nem sempre é a mais correcta, os blogues não deixam de ser pessoais. 

Há teorias para todos os gostos e feitios e, arrisco, muito pouco bom senso. Há muitas pessoas a achar que só há um caminho correcto. A questão das escolas faz-me muita confusão. Estamos a criar uma geração que passa horas infinitas fechada nas escolas, entre actividades criadas porque os pais que não os podem ir buscar mais cedo, aulas de substituição, dezenas de trabalhos de casa. Parece-me um caminho tão infeliz.

Não sei bem como se ensina a gostar da escola, a gostar de estudar, a saber tomar opções e viver num mundo tão confuso. Não sei como se ensina a ser feliz. Sei que os meus pais foram aconselhados a adiar um ano a minha entrada na escola "porque a professora era muito pouco rígida e quase nunca marcava trabalhos de casa". Sabiamente ignoraram o conselho e eu adorei a escola e a professora. Sei que era muito bom sair às 15h30, e ter muito tempo pela frente. Sei que a escola é muito mais que aprender matemática e português e que é fora das quatro paredes que se aprender a Ser Pessoa. Sei que nunca me senti enjaulada, que apesar de todos os pseudo-problemas de uma criança/adolescente, sempre fui feliz. Odeio o conceito de aulas de substituição sem nexo e quilos de trabalho de casa "para aprender mais".
  
Dizia-me um amigo há uns tempos que nós deveríamos ir viver para outro país, porque "na nossa área, lá fora, seriamos ricos". Não, não é isso que eu quero, tenho a certeza. Adorava ter vivido lá fora uns tempos pela experiência. Deixou de ser um plano depois do Duarte nasceu.  A sociedade está a afastar-nos cada vez mais da comunidade em que sempre vivemos. Sei que há muitas pessoas que não têm alternativa, mas eu tenho. Eu tenho o privilégio de poder deixar o meu filho com os avós, de  saber que esteve a ver a avó a tratar das galinhas e que pede uma tangerina sempre que passa pela árvore. Saber que se sujou, que se deitou no chão e que fez aquela vizinhança um bocadinho mais feliz. Sei que quero mesmo encontrar, quando chegar a hora, uma pré-escola onde ele passe o dia a brincar. Adoro pensar que um dia poderei dar-lhes a opção de sair mais cedo da escola porque há um avô por perto para o ir buscar, para brincar muito. Penso no meu horário para poder entrar mais cedo e sair enquanto há luz para poder estar com ele. 

Não sei bem qual é o caminho, como se ensina tudo isto. Como explicar que até podemos não concordar com as regras mas temos que as seguir, podemos é lutar para muda-las. Que há muitos caminhos certos e outros tantos errados e é preciso escolher, saber ver as boas pessoas, ler as entre-linhas. Não sei bem qual é o caminho, mas penso várias vezes nisto.





sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O tempo entre das viagens

O tempo entre das viagens
Odeio "perder" tempo, esse elemento útil e precioso. Não gosto, não quero, sinto-me sempre angustiada quando acho que estou a desperdiçar momentos de vida. Tenho os meus dias sempre bem planeados e sou até capaz de rosnar se alguém me força a alterar os planos em cima do acontecimento. Se antes, para mim as viagens de comboio ou autocarro eram um verdadeiro desperdício de tempo, agora os transportes públicos parecem-me um pequeno paraíso. Decidi este mês tentar perceber a logística e viabilidade de voltar às viagens de comboio. 

Tempo
Transportes Públicos: Para chegar ao escritório, tenho várias alternativas. A minha preferida implica 5 minutos de carro, 20 minutos de comboio, 10 minutos de metro e uns 25 minutos a caminhar, 1 hora em viagens. 2 horas ao final do dia. 
Carro: O tempo total teórico de uma viagem de carro são 20 minutos. Teórico porque em horas de trânsito e afunilamento a verdade é bem diferente. Num dia normal varia entre 1h / 2h o tempo entre viagens. 
Sai Vencedor: Os transportes públicos. Apesar de mais demorados, o tempo gasto não é desperdiçado (o máximo que consigo fazer ao volante é... ouvir rádio e fazer chamadas!). Posso perder 40minutos por dia de "filho" mas garanto que não há desculpas para todo o tempo que estou com ele ser bem usado!

Logística 
Transportes Públicos: Implica mais jogo de cintura, suporte de bastidores para deixar o Duarte e alterar horários das explicações. Fico também mais "presa" nas minhas incursões aqui e acolá na hora de almoço. Apesar de tudo, organizo muito melhor o meu tempo, chego mais cedo, organizo melhor o tempo e saio (quase) sempre a horas. 
Carro: Não preciso de andar em contra-relógio para sair de casa. Posso voar para casa em caso do Duarte precisar de mim. 
Sai Vencedor: Os transportes públicos. Tenho que me mentalizar que em caso de doença o Duarte tem os avós perto e numa situação extrema há outras soluções para chegar rápido onde for. 

Outros factores 
Transportes Públicos: São mais baratos. Fazem-me ver e encontrar pessoas. Fazem-me caminhar diariamente e respirar o ar lá de fora. São mais ecológicos. Dão-me tempo para organizar o dia, ler ou o que quiser fazer. Não há stresses com trânsito e são até... calmantes! 
Carro: Hum... Está sempre disponível? 
Sai Vencedor: Os transportes públicos, claramente

Hoje é o 13º dia de trabalho este mês, em 13 vim 9 dias de transportes públicos. Não é claramente o número ideal, mas é impossível aderir à ideia dos transportes públicos de forma rígida. Nos dias que vim de carro havia um bebé doente em casa, um noite muito mal dormida e a necessidade de comprar um móvel. Tenho a certeza que é completamente impossível vir um mês completo só de transportes públicos, mas... mesmo que num caso extremo fique mais caro porque duplico os gastos entre passe e carro, vale a pena. Cada eurozinho. O tempo das viagens é tempo para mim, sem um bebé a reclamar atenção, sem não saber por onde começar a organizar coisas, sem tarefas ou burocracias, sem respirar fundo e contar até 10. O tempo em viagens é tempo para parar, para conversar, para ler, para fazer planos, parar organizar ideias ou deixar nascer novas. Faz-me chegar ao trabalho ainda mais bem dispota. Faz-me chegar a casa com mais paciência, com mais vontade e disponibilização para brincar, com as ideias e o tempo já melhor planeado e organizado.

Hoje de manhã saí uma estação atrás. Caminhei mais um bocadinho e decidi tirar fotografias com o telemóvel.  Já disse que adoro o Porto e que é muito bom andar de comboio?

 Pinturas num muro da Avenida de França
 
 As árvores no inverno ficam tão bonitas!
 

 Geometria





terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Um brinde aos recomeços

Um brinde aos recomeços
Gosto de novos anos. Na verdade... Gosto de recomeços, cadernos vazios, esperança renovada, força de vontade. Tenho vários novos anos. O início de Janeiro, os meus anos, o início de Setembro.

Este Janeiro sinto-me particularmente motivada a pôr mãos na massa. Talvez o meu corpo se tenha habituado que nunca mais vai dormir noites 100% tranquilas. Talvez porque 2016 tenha sido um ano muito bom e por eu acreditar que 2017 será ainda melhor.

Sinto-me com os pulmões cheios de ar. Em 2016 quero melhorar hábitos poucos saudáveis, quero aprender e fazer coisas novas, quero melhorar a minha casa, ler e escrever mais, conhecer sítios novos. Tenho várias listas escritas com inteções (realistas) para este ano.

E depois... quero tudo o resto. O Tempo, o sacana do tempo e da vontade. Para continuar a conhecer o Duarte. Para brincar no chão, para passear. Para gerir noites mal dormidas. Para ouvir "mamamamamamamãs" vezes sem conta. Para ter paciência (muita paciência) para repetir "não" vezes sem fim. Para fingir criança. Para namorar os meus rapazes. Para muitos momentos a dois ou a três ou "a muitos".

2017 promete ser desafiante e trabalhoso mas... promete igualmente ser um ano bom. Venha ele. 

Feliz Ano novo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Se este texto não fizer sentido... perdoem-me.

Se este texto não fizer sentido... perdoem-me.

Agosto passou e com ele as nossas férias grandes. Tão boas que me deixam com um sorriso no rosto ao lembrar. Um dia prometo que faço um video.

Chegou Setembro, dos recomeços e dos contra-relógios. Com ele passaram já dois dias de festa muito felizes, o Duarte chegou ao alto dos seus 11 meses e está tão bonito, tão crescido. Cumpri 5 dos 7 objectivos a que me propus. Não está mau.

Estamos a meio de Setembro. Já? 

Lá por casa descobrimos uma nova formula que simplifca os dias e os sonos. O Duarte já não dorme antes do jantar e passou a adormecer mais fácilmente depois, adormece mais cedo e dorme melhor. Descobrimos Outlander, e fiquei com muita vontade de voltar à Escócia. Li Siddhartha e A Magia das Mães  .Parece-me que todas as mães deviam ler a Constança. Amanhã vou ver o concerto do Zambujo e do Miguel.

Ainda sinto uma espécie de anestesia pós-férias. Não encontramos uma rotina desde que regressamos e as aulas do pai lá de casa estão quase a começar. A casa continua do avesso. As gatas continuam malucas. A Internet continua cheia de textos bonitos que me apetece partilhar. A minha cabeça está cheia de ideias e os dias não crescem.
Há coisas que não mudam. E ainda bem.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Para fazer este (meu) Agosto*

Para fazer este (meu) Agosto*
  • Criar Calendário Partilhado - Já não sou capaz de decorar tudo e estão demasiado frequentes as vezes que sobreponho planos. É hora de começar a pôr isto do papel (ou no ecrã)
  • Limpar o Frigorífico e a Arca - Um frigorífico cheio de marcas, coisas congeladas que já nem sei identificar... Humpf. Temos que nos livrar disto (e começar a identificar o que guardamos)
  • Planear uma festa para o Duarte - Que na verdade será só em Outubro. É preciso, no mínimo, definir pelo menos uma lista do que tenho para fazer e até quando.  
  • Acabar o album de fotografias 2015 - está quase, quase!
  • Arranjar as floreiras - Que estão cheias de plantas mortas... E encontrar forma de não me esquecer delas
  • Ler um livro (que não tenha nada a ver com bebés!) - Já não leio nada que não esteja relacionado com bebés há mais de um ano (oi?). É altura de voltar.
  • Organizar um armário - Tenho 3 bons candidatos. Basta um :)
Para o resto do tempo, ficam os habituais: beijinhos, pés descalços, jogos, pequeno-almoços grandes, amoras, filmes, livros, passeios e muitos, muitos sorrisos.

*ou para quem também quiser.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sabemos que a sociedade está a mudar (e para melhor) quando...

Sabemos que a sociedade está a mudar (e para melhor) quando...

...a Nacional faz este fabuloso anúncio e não há ninguém a sentir-se indignado. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sobre esta coisa de "escolher o futuro"

Há uns tempos, um dos meus explicandos disse-me que não precisava de estudar matemática porque queria ser trolha. Respondi-lhe que estava enganado, que podia ser trolha mas que, como em qualquer profissão, deveria estudar para ser o melhor possível e por isso precisaria sim, muito, da matemática. Ele, que estava só a desafiar-me, ficou surpreendido com a resposta.

Agora, que estamos na altura das candidaturas às universidades, por vários motivos, tenho andado a pesquisar profissões para ajudar quem tem este desafio pela frente. E se por um lado defendo que a escolha deve ser livre (e consciente) e que é nosso dever sermos o melhor possível no que escolhermos, por outro reconheço que escolher "aquilo que queremos ser quando fomos grandes", é uma decisão muito difícil.
Quando tive que escolher "o meu oficio", escolhi um curso que, na verdade, não fazia ideia do que seria e nem muito bem para que serviria. Gostava de matemática, gostava de tecnologias, o curso tinha uma boa taxa de empregabilidade e eu achava que seria feliz a aprender coisas relacionadas com computadores. Na verdade... achava que seria feliz com isso ou 300 outras coisas diferentes por isso... escolhi uma área que podia ser aplicada a muitas outras. Durante a faculdade, foram várias as vezes em que pensei se realmente iria levar aquilo a bom porto e se teria sido uma boa opção. Fui-me deixando ir e hoje, à luz dos anos, vejo que foi uma excelente opção. Correu bem, tornou-me uma pessoa melhor e mais confiante. Sou boa no que faço e sou feliz a fazê-lo.
Correu muito bem, esta caça cega mas teria muito para correr mal. Por outro lado, não sei bem qual a solução. Como se ajuda alguém numa escolha tão pessoal e tão determinante? Como podemos apresentar profissões, pôr todas as cartas na mesa sem deixar detalhes importantes por dizer? Será que aos 18 anos nos conhecemos assim tão bem para sermos já tão especialistas no nosso futuro? Na verdade, agora que me conheço melhor, percebo que haveria duas outras opções que talvez tivessem sido bons caminhos. Opções estas que não faziam sequer parte dos planos na altura. Não sei o que teria ajudado... Mais iniciativas do tipo "Universidade Jovem?". Mais feiras de profissões? Maior promoção de empregos em part-time? Uma espécie de ano zero global "de curso em curso"? 

Talvez não haja uma solução. Talvez o caminho seja relativizar, não ter pressa. Ou então perceber que independentemente na escolha, é sempre possível voltar atrás.  
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