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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O primeiro dia de escola.

Querido Duarte, meu amor pequenino, GIGANTE. 

Hoje foi o teu primeiro dia de escola. Pensei muito esta semana se estaríamos efectivamente a fazer o melhor para ti, para todos nós.

Decidimos, quando nasceste, que irias ficar com as avós enquanto nos parecesse que isso era o melhor para ti. Há uns tempos começou-nos a parecer que talvez estivesse a chegar o momento. Precisas claramente de outros meninos e de brincadeiras de grupo. Precisas, parece-nos, de algumas regras que o amor infinito dos avós não deixa aplicar. Continuamos a querer que tenhas todo o mimo do mundo, mas vemos o menino que te tornaste e achamos que precisas mais. 

Hoje chegaste, exploraste o espaço e ignoraste todos os humanos à volta. Viemos trabalhar e deixamos que ficasses com a avó na sala, a avó saiu um bocadinho. Quando voltou, estavas bem. Quando voltou, disseste que querias voltar amanhã. Não sei como será quando passar a novidade. Tenho medo que chores depois. Por agora... vamos devagarinho. 

Perguntaram-me como é que eu tinha ficado. Fiquei de coração pequenino mas sempre a sorrir. Um dia vais perceber como é difícil e igualmente maravilhoso ver um filho crescer. E é ainda mais estranho ver-nos a crescer através dos outros. Mas bom. Mesmo muito bom. 

Amo-te. 
Mãe

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dois anos de ti

Dois anos de ti
Querido Duarte,

Meu pequeno rapazinho! Há dois anos que cá estás. Uau! Dois anos em que te acompanhamos, em que aprendemos a ouvir-nos e a ouvir-te, em que continuamente nos deliciamos.
Estás todos os dias menos bebé, mais rapaz. Tens vontades, ideias e  gostos. O tempo voa, como o cliché dita, mas não há como fugir dele. És sorridente, traquina, feliz. Deliras com animais, com motores e rodas, com botões e coisas eletrónicas, com "a rua" e com bolas! Começas a aprender a lidar com os impulsos e a frustração e o desafio destas lições é para todos nós. Eras um comilão adorável e agora decidiste que não queres sopa e que não gostas de algumas coisas. Estás muito mais desconfiado com a comida mas a fruta continua a ser uma verdadeira paixão.  Deixaste de gostar de piscinas onde não sintas o chão. Bates palmas sempre que estás feliz e danças de uma maneira tonta que derrete toda a gente. Depois de te ambientares és extraordinariamente simpático. Adoras dormir com companhia e acabas sempre a saltar cedinho para a nossa cama.
Não falas. Não falas mas expressas-te lindamente. Mesmo assim, o facto de isto estar "atrasado" deixa-me doida, confesso. Às vezes preciso de parar, olhar para ti, e ouvir o meu instinto dizer-me que estás bem, que estás a aprender coisas novas todos os dias e que daqui a nada desbloqueias a fala. Estou mortinha para poder "reclamar" de tanto que dizes. O pai continua a dizer que estás ótimo.

Este Outubro, fomos passear os três. Andaste de avião e portas-te lindamente. Fizemos uma espécie de road trip e adoraste. És um grande companheiro e foi muito bom termos finalmente as nossas férias merecidas. Prometo que tentaremos repetir todos os anos. Prometo mostrar-te coisas novas e bonitas. Prometo continuar a ser uma mãe ranhosa que luta sempre para te passar um tablet ou um telemóvel para a mão. Aposto que um dia me vais compreender.

Tens tudo de meigo e traquina. Tens um ar de rapazinho muito feliz. És tão querido, tão bonito e tão nosso que paro (paramos) muitas vezes a contemplar-te. Morremos de saudades quando estamos longe e acabamos por falar em ti nessas ausências. Somos uns pais chatos, babados e orgulhosos. Que o tempo voe, seja bem vivido e a nostalgia por todos os momentos bons continue.

Amo-te.
Mãe

Bolo número 4 de aniversário do Duarte.  Sim, é um bolo feio do qual eu muito me orgulho! :)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

366 dias depois

366 dias depois


Querido Duarte,

Há um ano atrás, adormecia meio aborrecida porque achava que, apesar de estar a completar as 40semanas, tu ainda irias demorar a chegar. Não que me estivesse a incomodar (obrigado filho, foste um inquilino muito amoroso!) mas já me andavam a "ameaçar" com o tempo.

Nasceste quando sentiste que era a hora de veres o mundo, sem grandes ansiedades ou avisos, num parto que eu só posso descrever como "muito a nossa cara" se é que tal expressão se pode aplicar ao momento. Não me apaixonei por ti à primeira vista. Acho que estava mais preocupada em certificar-me que estavas mesmo bem. A tua expressão dizia que talvez não tivesse sido boa ideia seres tão curioso... Mas depois, os minutos passaram, deixaram-nos aos 3 sozinhos. A ansiedade e a expectativa começaram a dar lugar a um formigueiro. Não conseguíamos tirar os olhos de ti. Nem sequer queríamos! Ali estavas tu, metade mãe, metade pai, a única prova impossível de apagar deste nosso amor. Os 3 assustados, os 3 seguros, os 3 afinal, naturalmente capazes.

Gostamos de muita coisa este ano. A forma como passamos a adorar as palavras Pai, Mãe, Filho. A paixão arrebatadora e instintiva que temos por ti e que abala todas as nossas antigas certezas. As gargalhadas que enchem os nossos corações nos dias mais difíceis. A tua curiosidade pelo mundo. A forma como olhas atento para todas as coisas que te mostramos. Dia após dia, hora após hora, no último ano o nosso coração cresceu mais um bocadinho para ter espaço para tudo o que sentimos por ti. És bonito, simpático, curioso, feliz. És tão perfeito! Gostamos tanto de ser os teus pais!

Passou um ano e é inevitável pensar no teu futuro. Não sei como serás mas queremos muito ensinar-te o que acreditamos que te ajudará a ser feliz. Quero que percebas a importância do amor. Por nós, pelos nossos, pelo "outro" ou pela pessoa que um dia te fará sentir borboletas na barriga. Queremos ajudar-te a não ter medo, a não desistir, a ter paciência, a cair, a levantar-te, a desenrascar. Queremos mostrar-te que é bom ser curioso, que o mundo e a vida podem ser por vezes escuros mas no final há sempre luz e cor. Queremos que percebas o quanto é importante ter um espirito crítico, pensar por ti, lutar pelo que acreditas. Queremos te ensinar a apreciar. O mar, o tempo com os que amas, os livros, o sol, os sonhos, os abraços, a música, a fruta que apanhamos da árvore, os lugares bonitos e os outros também, o calor da lareira quando há gelo lá fora, os pés descalsos.

Passou um ano e há muito que festejar. Foi o ano mais bonito e mais colorido das nossas vidas porque tu chegaste, cheio de sorrisos bons. Que venham muitos mais.

Obrigada por nos deixares de coração cheio por sermos teus pais.

Um beijinho

quarta-feira, 16 de março de 2016

Não há pressa.

Meu pequenino,

O tempo voou, como se esperia. Voa sempre que estamos felizes.
A vida flui a um bom ritmo. A caixa da roupa que já não serve está todos os dias mais cheia, estás cada vez mais curioso com o mundo e o nosso amor por ti cresce exponencialmente.
Como os 5 meses chegou a hora de passares a estar com as avós. Deixei de te ter todos os dias, todas as horas, aninhado em mim. Destruiste mais uma das minhas antigas certezas, a que achava que nunca seria feliz a ser mãe "não trabalhadora". Talvez não fosse bem assim. Voltar ao trabalho tem coisas boas mas parece-me cedo de mais. O coração fica pequenino. Vou perder tantas etapas, tantos sorrisos, tantas conquistas! Fico-me pelo desejo de um dia poder viver estas etapas com os meus netos.
Chegamos juntos a uma nova fase. Deixamos a amamentação exclusiva e começamos num mundo novo de sabores. Devagarinho, sem pressa. Comer tem que ser um prazer e não um martírio. Tens tempo. Temos tempo.
Os sonos de dia estão menos atribulados, as noite complicaram ligeiramente. Aos poucos vais aprendendo que nunca estarás sozinho, podes dormir em paz. Quando chegar a hora dormirás no teu quarto. Quando chegar a hora, não há pressa.
A redução do tempo para ti faz-me querer aproveitar-te ainda mais. Quase fico com remorsos por ter planos que não te incluam. Sei que ficas bem. Sei que ficas melhor do que connosco mas contemplar-te passou a ser um dos nossos passatempos preferidos. Dar-te beijinhos, ferrar-te os pés, ver-te perdido de riso, sentir o teu cheiro, ter-te aninhado em nós tem agora o valor de uma volta ao mundo.
Por agora, a Primavera está a chegar, os dias estão mais azuis e maiores e eu estou cheia de planos para nós.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Aos três meses...

Querido Duarte*,

Passaram três meses desde o dia em que te conhecemos. Três meses de descobertas diárias, de novos medos e novas conquistas, de muito amor. Três meses de uma nova e incrível sensação de família. 

Sinto-me dividida. Há uma parte de mim que não quer que cresças não rápido (e tão rápido tu cresces!). Quero que gostes sempre de te aninhar neste colo, que seja eu e o pai os teus portos de abrigo, quero fazer festinhas infinitas na tua pele macia, sentir o teu cheiro depois do banho, quero sentir-te sempre nosso... Mas há outra parte: a que te quer mostrar o mundo. Estou ansiosa por ouvir as tuas primeiras palavras, por ver o olhar da bisavó quando lhe deres o primeiro beijinho, para irmos cheirar a maresia ao Sábado de manhã, para juntos ouvirmos o Rui Veloso cantar sobre a cidade mais bonita, por te ensinar a gostar o mundo que os livros escondem, por te aguçar a curiosidade pelas cidades bonitas do nosso país e do nosso mundo, para te mostrar como é mais saborosa a fruta que colhemos das árvores, para jogar contigo, sentados no chão, com o frio de Bragança lá fora e o quentinho da lareira só para nós... Quero tanto mostrar-te o mundo!

Querido Duarte, chegaste à três meses e encheste os nossos dias com ainda mais cor. Estamos mais completos, mais felizes. Obrigada por nos deixares saborear a vida ao teu lado.

*escrito a 13/Jan/2016 e guardado algures no meu telemóvel...
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