O que vale, é que ainda conheço alguns bons no clube

abril 10, 2012 Vera 4 Comments

Sou católica. É o meu clube. Acredito, sim, na ressurreição dos mortos, da divindade de Cristo, na compaixão e no amor ao próximo. Acredito e tenho fé. Mas cada dia gosto menos do meu clube. Declarações como as do Bispo de Alcalá Henares na missa do de Sexta-Feira Santa transmitidas pela televisão pública espanhola dão-me nojo. Que um alto responsável da minha igreja diga que os gays estão no inferno e corrompem ou que as mulheres que abortam já vivem para sempre em pecado envergonham-me e dão-me muita vontade de sair definitivamente de um clube que não me representa, que não entende a compaixão como mensagem principal de Cristo, que se nega a sair do buraco de escuridão em que se fechou há séculos  atrás por medo de uma sociedade cada dia mais tolerante, aberta e sem complexos. Duvido que Cristo gostasse desta arrogância, desta mesquindade, desta necessidade doentia de se meter na vida dos outros. E não, a Igreja não é a Curia, nem as interpretações enquistadas do mundo: a Igreja somos todos, os crentes, os bispos, as mães, as mulheres que abortam, os divorciados, os gays, as mães solteiras, os que pecam. Porque aqui pecamos todos. E se não aceitaria nunca que um imã filho da puta viesse para a televisão defender o véu porque a mulher é inferior ao cabrão do marido, então não posso sequer entender porque razão um bispo ou quem quer que seja diga na televisão pública que a homossexualidade e o aborto, que são legais, que não crimes, são recrimináveis, pecado ou o caralho, só porque a seita que o tem como representante se nega a aceitar que há mais mundo além das paredes das suas igrejas. Assim não. Assim saio do clube.

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4 comentários:

  1. Eu concordo com isso tudo!! Enquanto a igreja não se modernizar não vai ter "lá" gente nova. E em 40 anos as igrejas vão estar às moscas, disso tenho a certeza!

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  2. há muitos representantes da igreja que afastam as pessoas de fé. sou católica mas não praticamente porque acredito na filosofia de base, mas nas práticas nem tanto...

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