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julho 17, 2012 Vera 3 Comments


«"Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente.
"Também tens um mano na barriga?"- insistia. Pego-a ao colo para se sentar aos pés da cama, leve que nem uma pluma. "Cuidado com o meu cateter!". A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de químio da filha. "»
Do Quadripolaridades, história completa aqui. 

 
 
Eu quis ajudar. Não os conheço, não vou resolver os problemas do mundo, mas sabe imensamente bem ajudar alguém. Por isso, peguei na Vannya e fomos às compras para a Bia e para a família. Fizemos um pequeno cabaz e já o enviamos. A minha (tentativa de)  inscrição no Banco de Medula foi feita há já vários anos. As células estaminais irão, sem dúvida, para um Banco Público, quando essa fase chegar. Por isso, restou-me ajudar assim e torcer para que esta história tenha um bonito final feliz.

(Mais sobre isto no Quadripolaridades aqui ou aqui.) 

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